Opinião

Breve incursão sobre lixos e lixeiras

Arnaldo Santos |

A problemática dos lixos e das lixeiras tem passado muito à margem dos narizes refinados, a não ser quando estes começam a cheirar mal. Não surpreende que nesta nossa velha Luanda, essas sensibilidades novas e modernas não queiram ou saibam distinguir a sua patine, os vestígios da sua longevidade, com lixo para arrasar e deitar fora. Essa é uma maka que concerne a todos e independentemente das crenças e outras predisposições que elas arrastam consigo.

No antigamente desta cidade, quando os Presidentes da Câmara Municipal eram eleitos, competia-lhes organizar a forma de cuidar da limpeza e saneamento através dos serviços comunitários com as verbas que lhes advinham dos impostos locais. Hoje procede-se de maneira diferente e os resultados não são abonatórios, para não exagerar. Hoje, é ao Executivo  que compete distribuir os recursos financeiros para o mesmo fim, foi descentralizada a responsabilidade e as correspondentes verbas.
Porém, e de acordo com o que nos deparamos ou conhecemos, alguma coisa está em causa. O método, a divisão administrativa, os indivíduos nomeados ou a exiguidade das verbas distribuídas? A descentralização é necessária, urgente e fácil  de entender quando a sua eficácia e utilidade são devidamente acompanhadas ou se preferirem fiscalizadas.
Todas essas interrogações não contrariam a convicção que quem desejar uma autarquia limpa e com ambiente preservado, deve saber escolher os administradores: até mesmo porque o lixo é selectivo. Tem o odor que tem no lugar em que se produz mas todo é demasiado sólido para ser ignorado ou sacudido com paninhos quentes. Tem mesmo que ser removido, como é do conhecimento geral, através da correspondente parafernália que se utiliza para o efeito.
O lixo da Cidade Alta ou da Cidade Baixa da própria Luanda é diferente das lixeiras dos seus muitos e diferentes distritos vizinhos, pois o lixo do Katinton não é igual ao do Rangel ou mesmo da Estalagem de Viana. Esses lixos todos trazem doenças. A qualidade do lixo varia e há que atender a essas particularidades. E mais do que isso a sua toxicidade. O lixo do Hospital dos Tuberculosos não pode ir com a chuva como o da minha rua. Aqui tanto quanto eu saiba o nosso Comité não contratou nenhuma micro operadora dessas que operam em caxexe e não pagam impostos. Há que convir que relativamente a algumas das questões atrás abordadas não lhe é prestada a mesma atenção e disso estamos conscientes.
2. - O lixo é “incabável” (usando a gíria calú, pensando nos estóicos ou neles mesmos) e com o desenvolvimento das cidades, municípios, etc.,  ao lado de um condomínio moderno e zona requalificada  com todas as infra-estruturas, coexiste a sanzala pobre onde falta tudo menos lixo.  Aliás, de que cidade ou cidades, lixos e lixeiras estamos a tratar? 
Os seres humanos estão condenados à inevitabilidade do lixo que produzem mas há algo que passou a ter essa designação e que atinge pessoas e até Nações.
3 . – Ocorre referir também nesta breve incursão, referir de passagem que se pressagia o destino das Nações e das suas populações. Para o nosso país foram previstos adventos terríveis, transformações traumáticas, à semelhança das primaveras árabes, de cujas consequências os seus mentores assistiam de camarote, até se transformarem em filmes de horror. Não são perspectivas animadoras. Na curta história da nossa pós Independência, o nosso povo já recebeu uma pesada experiência de sofrimento. Merece a Paz que hoje desfruta. Mau grado as previsões de kalupetekas estrangeiros por muito generosas que elas pretendam ser. 

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