Opinião

Efervescências da época do cacimbo

Arnaldo Santos |

Também a este lugar chegou a efervescência da cidade capital. Estranhamos. As efervescências são mais comuns na época do calor do que no cacimbo. Mas elas vieram no observatório, embora de maneira desigual.

Na Cidade Alta, o governante dava mostras da sua habitual tranquilidade. Os seus auxiliares é que foram aconselhados a aumentar ou actualizar a sua formação ideológica.
No entanto, estão a colocar temas que obrigam estudos e muito bom senso, para prevenir confrontos desnecessários susceptíveis de denegrir a imagem do Poder Executivo. Há um outro Poder que não é Executivo, que pode perturbar a ordem e estabilidade existentes.
Nas efervescências com que vivemos na cidade capital tem umas que estão sob segredos da justiça como a dos activistas cangados sob mandato por um propósito que era do desconhecimento da população. Que outras forças eles disporiam clandestinamente para assustar as nossas autoridades? Na emergência de coligações de seitas religiosas que atravessamos e sabe-se lá se também de feiticeiros, tudo é de esperar. Sobretudo na circunstância em que o nosso país enfrenta, face aos contratempos económicos. Aliás, de onde menos se esperaria é que surgem as surpresas de mau gosto, que escapam aos mandatos da justiça, mas não da censura da opinião pública. Algumas delas são de tal maneira acintosas que dão origem a constatações generalizadas no mínimo ridículas ou hilariantes, se não desconfiássemos da sua autenticidade. A mais preocupante é a de que os gastos pessoais dos oligarcas angolanos são tão avultados que envergonham os milionários russos, cuja excentricidade foi motivo de muitas especulações. Do contraste dos russos com seu povo, é maka que não nos diz respeito, mas em relação aos muangolé, penso que o assunto causa efervescências justificadas.
São desses estados de ânimo com os quais nos deparamos neste lugar, onde para as crianças de rua não bastam boas intenções e receitas evangélicas e as mães solteiras se desfazem das suas crianças recém-nascidas nos contentores de lixo, que a exibição ostensiva do luxo e o preço de um vestido de noiva comprado em Nova Iorque por 200 “paus”(entenda quem quiser o valor desses paus importados) ofende. Ofende também o preço de 300 “paus” por um bilhete em Miami para assistir durante alguns minutos a um combate de boxe e que foi pago por um muadié da nossa praça. Por menos, dizem os activistas, pagava-se a alimentação das crianças abandonadas e internadas no Horizonte Azul em Viana, por vários meses. Até quando e a que pretexto essas provocações?

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