Opinião

Espaçam-se os dias que não são dias

Arnaldo Santos |

Ao deter-me na fixação do afadigado agente muito aplicado a passar multas, à torto e a direito, “dia em que não faço X… não é dia!” gabava-se sem pudor, talvez eu mesmo me tenha deixado enveredar por uma ficção tout court, anedótica, da nossa realidade irreal, passe a contradição.

De facto as regras que predominavam assim lhe forçavam, mas as que vislumbro são de uma outra natureza e com outras motivações: não vão depender apenas das expectativas que se subordinam aos ditames dos preços internacionais atribuídos às nossas “comodidades”.
Os prenúncios desse inconformismo são mais que latentes - “Vamos na trás” – Passou a dizer dona Sãozinha, voluntarista, que não gosta de estar sempre a se lamentar, quando as coisas não correm bem. – “As pernas são minhas…”- E os seus filhos ainda são candengues.
 Antevê-se assim que as grandes chuvas não vão apenas irrigar as lavras, mas também as mentes, de boas ideias e iniciativas com o futuro. Cada vez até o próprio Executivo já se tenha apercebido disso ao interpretar os sinais dos tempos, mas também as necessidades da população. Teria assim revisto a sua política sobre a Alimentação que já não fica tão dependente da importação.
Aparentemente e nesse entendimento a Ministra do Comércio, Rosa Pacavira, distribuiu cheques aos Agentes Logísticos Rurais, lançou uma componente de micro-crédito, destinado a facultar meios para um efectivo redimensionamento do Programa de Aquisição de Produtos Agro-pecuários, de cuja existência muito terá de se esperar. Na inauguração do Centro Distribuidor e Logístico de Viana, os observadores da capital compraram mel das terras bienas e outros produtos, bons e baratos e ficaram de boca adocicada para o que se perspectiva no futuro.
A diversificação da nossa economia assim o exige e vai impor transformações e alterar rotinas que não são ainda visíveis. É, pois, oportuno, que se exponham opiniões e se debatam alternativas. É muito consequente que sobre esses mambos o Presidente da Associação Industrial de Luanda (AIA), José Severino, se tenha debruçado sobre a conjuntura. E pegou-lhe com vontade, de maneira a não permitir esquindivas, tergiversações. Está na hora de (re)erguer uma indústria nacional sustentável, afirmou convicto.
Mas porque a fome ainda faz sofrer uma parte da nossa população; mas também porque a reabilitação da “farinha de peixe de Benguela” muito apreciada outrora tanto no estrangeiro, como pelos gloriosos combatentes  das FAPLA´s.: o desenvolvimento da indústria alimentar é uma necessidade indispensável.
O presidente da AIA, José Severino, embora animado (como referiu em nome da Associação na entrevista concedida a este Jornal) não foi enfático. Além da burocracia não se referiu aos entraves. Que possam obstar a essa proposição. O mar está aí e até parece que vai aumentar sem que as frotas estrangeiras tenham argumentos para nos espoliar.
Não acreditamos em más vontades, mas sabemos que há entraves. E que são perigosos. Talvez, por isso, é que ainda não foram expostos em praça pública.

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