Opinião

Louvados sejam os reconciliados

Arnaldo Santos |

Na sua últimaEncíclica, “LOUVADO SEJA”,o Papa Francisco lembrou aos homens que eles partilham um espaço comum eas responsabilidades que daí decorrem para a Humanidade. Tudo muito claro, para crentes e não crentes.

Aqui por estes lados e em virtude do nosso atribulado processo de descolonização, a gestão do nosso espaço e recursos comuns provoca reacções,umas vezes justificadas, mas outras vezes, aparentementede pura caturrice e aconvivência degrada-se e fica mais difícil geriros interesses comuns. Não surpreende que apareça inevitavelmente o estigma do dominante e do dominado que a nossa democracia parlamentar ainda não sanou.
“Glória aos vencedores!” – Deve ocorrer em algumas mentes, como outrora entre os soldados romanosna hora de dividir o espólio e as riquezas conquistadas. “Glória aosvencedores!”–Dizem também agoraos vencedores, mas em inglês, os invasores do Iraque e os que destruíram a Líbia.Sinais dos tempos. E para que a glória seja completa e tenha alguma consistência, decorre tambémtodo um novo estilo de vida, o consumismo e outros hábitos.São eles que o Papa Francisco desejaria evitar em louvor das criaturas que povoam este planetaque devia ser de todos.
Nesta linha de pensamento deveriam desaparecer as desigualdades desumanas, mas a nossa História carrega factos que só uma Paz consolidada por uma verdadeira Reconciliação Nacional (e não só)podeapagar.
Ainda não me apercebi em determinadas camadas sociais a presença desse espírito que, aliás, já não seria inédito. Relevem-me que insista (não por adulação) no óbvio, mas é necessário recordar que José Eduardo dos Santos, enquanto Comandante-Chefe das forças no poder demonstrou querer governar democraticamente, ao preservar a vida dos seus opositores. Por isso foi e é louvado.Esse facto histórico honra-nos enquanto angolanos e mas a nossa almejada e verdadeira Reconciliação Nacional,ainda demora. No entanto, elaimpõe-se como uma necessidade histórica.Inadiável.Desse ditame, hoje e agora, ninguém escapa. O Povo aceitou dividir o seu apoio pelos Partidos que estão no Parlamento, diferiu por enquanto as hipóteses de eventuais “movimentos revolucionários”. Deste modo, a Grande Reconciliação entre os angolanos, nunca pode ser postergada.
Ocorre entretanto algo sobre “revoluções de cacimbo” de que pouco sabemos, mas depois da vitória do capitalismo hegemónico no mundo, as tentativas “revolucionárias” têm que receber o imprimatur supremo.De qualquer maneira, temos dúvidas sobre autilidade da queima de pneus nas ruas, embora também acreditemos nos Movimentos de ideias.

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