Opinião

Mujimbos sobre os detractores de serviço

Arnaldo Santos |

Do foro muangolé em geral, até no dos mais distraídos e menos informados, tem-se o convencimento de que o nosso Presidente da República, José Eduardo dos Santos, foi na China e nos Emiratos Árabes Unidos em serviço dos interesses do nosso país e das suas gentes.

Os funcionários com salários atrasados, até fazem disso motivo para manifestarem algum alívio. Mas claro está, que essas visitas não visam tão pouco. Angola tem ambições legítimas e todos os angolanos, mesmo os da oposição, assim também deviam entender.Os objectivos essenciais do nosso Presidente, no entanto, não passam despercebidos aos observadores por serem de uma tal amplitude que, por si só, chama a atenção internacional. Do que esse passo representa em termos de uma estratégia geopolítica coerente,os nossos analistas políticos – que os temos bastante lúcidos e bem (in) formados, o dirão.
No entanto, nem aos leigos escapou que Angola não se conforma a interromper o seu desenvolvimento devido à perda de receitas e a implementar os seus programas sociais mais ingentes. E isso não cuiou em toda a gente da mesma maneira.
Dos mujimbos e manipulações aparentemente de boa fé, há uma panóplia muito sugestiva mas da qual apenas dou guarida aos mais salientes, cada vez, quem sabe, com alguma pertinência por se relacionarem com a necessidade de ficarmos atentos aos desmandos que desvirtuam a cooperação solidária entre os povos.Na história da nossa cooperação com os países “camaradas”, nem tudo pode ser visto como um mar de bênçãos celestiais.
Na época do peixe-espada, lembram-se das frotas pesqueiras “amigas” que nos varreram os fundos dos mares? Compreende-se assim que o chefe do Grupo Parlamentar do PRS, Benedito Daniel, tenha exprimido alguma apreensão quanto à China, que na sua opinião, “não tem boa história de honestidade onde passou”. Esta desenvoltura não é assumida por todos. A UNITA não está contra, formalmente. Preferiu convidar quem o fizesse por si. Indirectamente. A nossa rede viária (ainda que agora possa não estar absolutamente viária, aqui e ali há uns buracos) é facto. Indiscutível. Foi essa rede de estradas em que os chineses também cooperaram com os angolanos que serviu alvo preferencial para denegrir a única ajuda real e substantiva que tivemos para restabelecer a circulação de pessoas e bens, num país minado e quase destruído pela guerra. Alguém pode esquecer o day after após a instauração da paz?Não basta essa euforia. Aprendemos de uma maneira penosa que muito poderia ter sido evitado se o nosso país tivesse recebido uma Ajuda Humanitária ou sinal de benemerência de qualquer Conselho de Doadores. Triste constatação.
Mas disso dona Sãozinha nada sabe. Só percebe que nas conversas no táxi hiace que faz o percurso Viana/Luanda, lhe queriam fazer acreditar que o nosso Presidente foi vender o Kuando Kubango nos chineses, cada vez com o seu próprio Governador lá dentro…. Sinceramente.

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