Opinião

Nas homenagens aos heróis nacionais

Arnaldo Santos |

Tenho para mim, e como tal assim procedo, que as homenagens aos heróis não se devem circunscrever apenas às datas instituídas por razões mais de ordem burocrática ou de circunstância.

E muito menos as homenagens aos Heróis Nacionais. No meu modesto entender, o tempo dos heróis deve permanecer no espírito do seu próprio povo, enquanto a sua Nação existir. Eles bateram-se por valores e liberdades que devem estar sempre presentes e nunca deverão ser esquecidos. Da mesma maneira e como acontece na vida das gentes, há quem tenha necessidade de todos os dias estar perto dos sepulcros dos seus entes falecidos, por sua vez tem outras que só o fazem no Dia dos Mortos. E em horas devidamente calculadas e tidas como socialmente mais convenientes.
Não me habituei a nenhuma dessas praxes que não são todas desprovidas de justificação. O relacionamento íntimo com alguma coisa ou alguém só se entende pela existência dos sentimentos que elas provocam. São as malambas, para alguns, lenitivos para outros. Connosco, e relevem-me a presunção, os heróis, aliás, a memória que se tem da sua vida passada, continua a ser uma fonte de energia, que vai manter vivos os direitos essenciais. Embora possa parecer contraditório, no nosso entendimento, os Heróis Nacionais nunca morrem.
Temos consciência da sua permanente actualidade, quando seus pensamentos dão sentido justo às nossas próprias reacções de circunstância, quando estamos necessitados de companheirismo e camaradagem. Eis porque relativamente ao preito a que nos obrigamos a prestar aos nossos Heróis Nacionais não me pareça que haja qualquer exagero em manter a chama acesa. Há mesmo todo interesse nisso, para uma boa harmonia presente e futura. Há poetas falecidos, mas não mortos, que acreditam que as palavras “iluminam o mundo”, cada vez ele possa ter razão quando recordamos Agostinho Neto, o Poeta que pensou e proclamou a Independência da nossa terra – a Pátria angolana.
A sua Pátria, a nossa Pátria, da qual se tenta ultrajar os tribunais, descredibilizando-lhes ao insinuar “motivações” sabe-se lá de que natureza, e as autoridades que garantem a ordem pública. Mais do que os apoios internos de forças políticas, chamou a atenção o facto de  um desses ataques, porventura o mais desatinado, ter tido como protagonista mais rotunda uma Deputada do Partido Socialista português que teria impulsionado alguns grupos da União Europeia a decretar mandamentos específicos. Não sei como reagiram os muadiés das nossas religiosas, mas eu particularmente não achei que fosse uma forma de bom relacionamento. É que os heróis da nossa História afirmaram-se por se terem batido para obtermos os direitos que ora nos recomendam. É claro que também em defesa do território que constitui a nossa Pátria comum. Eis porque em política não vale tudo. Deve-se também desconfiar e “ao inimigo nem um palmo da nossa terra”. Cada vez as palavras de ordem do tempo do Mais-Velho nos possam servir para não baixarmos a guarda.

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