Opinião

Nos nossos missosso não vagueiam fantasmas

Arnaldo Santos |

No antigamente da nossa convivência com os missosso da terra, nunca que encontrámos fantasmas a roubar. O imaginário popular sempre se ateve à nossa natureza dos seus bâmbis e surucúcus, sêixas e onças e naturalmente aos inevitáveis cágados.

Nunca fantasmas. Quanto muito a almas penadas através do xinguilamento.
Nesta longa explanação, mas ainda assim muito resumida, não se fez a menção obrigatória sobre kiandas, hermafroditas ou apenas as kiandas femininas como as do Kinaxixi. Tem um objectivo modesto. Afirmar que dos costumes, pouco ou quase nada se sabia sobre fantasmas. Mesmo a controvérsia sobre a Casa dos Santos, perto da antiga LAL, nunca foi bem esclarecida. E eis porque observamos reticentes e com algum espanto a notícia publicada no “Novo Jornal” de que a modernização dos serviços do Instituto Nacional de Segurança Social “permitiu detectar e eliminar os pensionistas fantasmas”, ainda que tenham sido recuperadas grandes somas de dinheiro. Talvez por isso mesmo, as nossas desconfianças aumentaram. O estratagema do fantasma já não cuia.
Os aproveitadores de má fé são mesmo só gatunos de carne e osso com tios e tias e outros parentes. Se lhes forem buscar como a qualquer “revus” ditos ou conhecidos como desestabilizadores da ordem e da paz nas famílias, vão-lhes encontrar nas farras ou nas discotecas. Eles como qualquer cidadão também incorrem nas leis sobre crimes públicos e merecem a notoriedade que procuram. Reconheça-se que os crimes de locupletamento, desvios e fraudes, muito raramente têm recebido da Comunicação Social a devida atenção.
Para nossa desgraça ou para turvar mais o ambiente já de si pouco claro, ocorreram factos que ainda dão para magicar. Um deles foi a carga de dólares no avião da TAAG que voava para a China. Rotina, descuido de milionário liambado, descaso de passador distraído? Magicar não é saudável nem para cronistas. O outro caso foi o assalto a uma agência do BIC donde levaram milhões de dólares. São demasiados incidentes francamente desajustados ao tempo económico em que o BNA está avaro em soltar divisas, mesmo para a diversificação da nossa economia. Esses acontecimentos suscitam e causam uma apreensão quase misteriosa. Serão novamente fantasmas?
Nossas convicções sofrem e começam a enfraquecer. Cada vez, quem sabe? As dúvidas avolumam-se. Aqui no Observatório continuamos unânimes e fieis às tradições.

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