Opinião

O futuro não espera

Arnaldo Santos

Nestes últimos meses apercebo-me que cresce entre os angolanos um novo entusiasmo relativamente ao nosso futuro comum.

 Fica a percepção cada vez mais justificada pelos factos que não soubemos aproveitar da maneira mais avisada, as oportunidades que a Paz nos proporcionou. As condições sociais e financeiras de que beneficiamos, foi alterando a lucidez antes demonstrada. O futuro é implacável e não espera. Nos casos em que me detenho, o que ressalta são as makas das gentes pelo domínio do Futuro. Essa questão é vital e faz estremecer o mais pintado. Todos sabem o que isso representa, de tal maneira que tem empresas organizadas em igrejas para fugir da visita das fiscais da AGT, que se propõem intermediar nos vínculos entre o Presente e o Fim, de que o próprio futuro não escapa. Mas afinal por que razão o Futuro é para aqui chamado? Quem complicou a resposta foi, imagine-se! um santo da Católica. Santo Agostinho levou todo mundo a aceitar, mesmos os mais descrentes, que o futuro está no nosso presente. O tempo está confinado ao momento, em que o leitor lê ou põe de lado este texto. E tem razão.
No entanto a Segurança em nome da prudência, impôs-se. Ninguém se admirou que assim fosse. Ninguém se admira que ainda seja assim, ninguém se pode atrever a desmerecê-la mesmo a favor da Educação e da Saúde. E no entanto, ninguém com bom senso, sejamos claros, todos aqueles que conheceram os discursos de guerra, se atrevem a discordar. O futuro é salvaguardado por um lado, mas como salvar a população desvalida e as crianças que desde a pequena infância lutam pelo seu sustento? De certo que não se está a pensar nos Fundos distribuídos pelas agências internacionais?
Deste modo, verifico não tanto por mim, nem por meus olhos que esses já são de pouca utilidade, mas através de outras “vistas” (maneira peculiar como aqui na banda se encaram os mujimbos) que estamos sujeitos a desperdiçar as oportunidades que o futuro se esbanjou em oferecer-nos. A grande maioria da população viu o seu futuro adiado a favor de uma classe na qual se tinha depositado muita esperança com vista a impulsionar o desenvolvimento no país. Beto Kangamba - o Empresário da Juventude - é, aparentemente, um dos exemplos, porventura o mais cómico de que a estratégia, ainda não deu resultados visíveis.
Entender-se-á assim que quem se socorre das “vistas” para observar, tem muita necessidade de consultar os espíritos. Não é fácil elucidar certas estratégias que ainda que viessem a ser plausíveis, faz tábua rasa das necessidades básicas do povo.
 Para o futuro de cada angolano seria porventura muito mais útil saber daquilo que hora a hora lhe diz respeito. As auditorias com que o Ministro do Desenvolvimento em nome do Executivo se previne contra os eventuais prevaricadores, infelizmente são entendidos como um simulacro para se repetirem erros anteriores. Até aqui não nos faltaram Instituições e Tribunais com o mesmo papel que irão agora a enterrar. O dia seguinte na actuação das novas instituições e inspectores terá que ser diferente.
O futuro não espera e se tem que matar a fome a alguém não lhe falta a quem. Sejam bem-vindos os auditores. Os candengues que zungam pelos mercados e ruas vendendo os seus serviços para se sustentarem, vos saúdam!

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