Opinião

O tempo não está para miragens

Arnaldo Santos |

Aproximam-se as eleições e com elas as ventanias repentinas e as guinadas bruscas. Desde que a ideologia deixou de ser determinante para conduzir os partidos políticos à conquista do poder, temos de esperar de tudo.

Agora então, no relançamento da nossa economia diversificada e o apoio de novos créditos, os ventos agitam-se e todos vão exigir uma melhor distribuição das oportunidades, o que até é perfeitamente natural.
Por muito já termos sofrido com a ambição desmedida de políticos, era de supor que já estivéssemos relativamente resguardados das fúrias e tempestades que se desencadeiam em nome do povo. Optimismo excessivo! Já nada parece plausível: até a própria chuva quer chover na capital, em pleno tempo de cacimbo, para complicar a ainda frágil democracia calú.
A mudança no clima de paz que se instaurava também não era óbvia, mas está também a mudar com o aparecimento de pequenos redemoinhos.
Eles começaram por ser soprados com o regresso dos kalupetekas de triste memória. Eles continuam sedentos de impor a sua mística e vergar a vontade dos outros. No entanto, agora com o concurso declarado de interesses estranhos ou estrangeiros. Há mesmo quem afirma que para o efeito se tenha pedido conselho e recebido ajudas concretas de várias proveniências a pretexto da defesa dos direitos humanos. 
Dos redemoinhos o povo já devia estar precavido, eles trazem sempre consigo maus espíritos que causam perturbação dos terreiros onde se bate ou se mexe o funje. E ele tem que ser bem batido ou mexido senão sai com bolas!  - … e dá divórcio. – Acrescentaria Luandino Vieira, ele é quem escreveu (ou poderia ter escrito) ele que é useiro em estórias costumeiras. Estou assim então a tentar avisar que o tempo que vamos atravessar até as eleições não está apenas para usufruir da paz que adveio da estabilidade que nos esforçamos por conservar, e para isso é indispensável que o  país se mantenha unido de Cabinda até no Kwando-Kubango. Divórcios, nunca mais. Demoramos muito a chegar até a consolidação da nossa  Assembleia Nacional. Ela tem que ser preservada da presente ofensiva contra a nossa estabilidade. O Conselho de Segurança das Nações Unidas não se intromete nesses assuntos que se relacionam com a vida interna dos povos soberanos, sujeitos dentro dos seus países a direitos e deveres como cidadãos. Não tem sido sempre assim e a propósito da recente condenação à morte do filho do ex-Presidente da Líbia e da OUA - Organização da Unidade Africana, Muhamar Khadafi, assassinado pelas forças dos EUA e a participação da OTAN. Foi numa ingerência repugnante e criminosa que destruiu um Estado organizado com o maior índice de Desenvolvimento Humano. Tudo, executado fria e cruelmente em nome dos Direitos Humanos.
Maianga, Agosto

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia