Opinião

Paulo Flores, o enviado da paz interior

Magda Burity *

Marcou a data do seu concerto online para o dia 4 de Abril no Instagram e Facebook, os palcos possíveis do momento. A 22 dias de isolamento não me apercebi que tinha escolhido o Dia da Paz para nos cantar. TiPaulito é assim. Atento. Já passou por muitas batalhas e não nos deixa ficar. O país está a mudar. E os nossos hábitos também. Estamos a tentar combater um inimigo invisível vindo da China.


Apesar da maior parte dos angolanos não ter acesso à internet muitos conhecem Paulo Flores, filho do kota Cabé e homem de uma sensibilidade exemplar que canta e conta uma Angola contemporânea onde vai buscar as memórias da sua Avó, Mãe, Tias, Pai e une toda uma Nação. Une valores, malambas, alegria, verdade. Que nos consola.
Paulo Flores, nascido em Julho de 1972, consegue desde cedo ter esse ouvido fora de comum. Talvez uma herança familiar que não precisou trabalhar. Chama-se Dom. E esse Dom, por vezes não compreendido, mas sempre respeitado, este sábado conseguiu unir um país inteiro que está parcialmente em casa desde que foi decretado o Estado de Emergência Nacional, no dia 27 de Março.
Até hoje, à hora que escrevo este texto na ressaca do concerto, sim, estou ressacada da Paz que TiPaulito enviou para cerca de 18 mil pessoas, entre o Instagram e o Facebook, contabilizámos em Angola 14 pessoas oficialmente infectadas com Covid 19 e 2 mortos. E é incontornável não mencionar nesta crónica este dado.
Motivo pelo qual estivemos todos em comunhão, à mesma hora, e em casa, conectados para assistir à mensagem cantada de Flores celebrada com os acordes do seu filho Kiari. Sucessor nato que aprendeu à nascença a importância do seu legado. A importância da mensagem. Do Amor... Mais um Dom.
Paulo fez-nos chorar ao cantar O País Que Nasceu Meu Pai, passando pela Carta à sua Mãe, não se esquecendo de nós as garinas Cherry e foi celebração extrema assistir pai e filho durante quase duas horas, numa sentada familiar para Nós TODOS. Essa sentada que é tão genuína na família Flores e que desta vez fizemos parte.
É desse Amor que precisamos agora, e de o passar uns aos outros, cuidando uns dos outros com estas iniciativas. A Tropa sem Farda que Paulo foi construindo e que acredita que todas as vidas são importantes. E a nossa Paz interior também.
Ela começa quando estamos conscientes de que estamos a contribuir para a Mudança, prevenção e mitigação desta doença que não nos deixa abraçar, celebrar à moda angolana.
As nossas festas de Quintal vão, por um tempo que espero que seja curto, passar a ser no espaço virtual e se todas trouxerem a essência de TiPaulito, Yuri da Cunha, Dj Malvado, os que vi até agora, em breve nos encontramos na pista e celebramos a vida! Porque a Cultura é a Alegria do Povo.
Vamos ficar todos bem!

*Jornalista

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