Opinião

Pôr ordem na casa

José de Mátis

Não há memória de o Campeonato Europeu de futebol ou a Copa Sul-Americana terem mudado de sede depois de o país inicialmente indicado, como organizador, somar já alguns ganhos com o marketing que, regra comum, é exercido em torno dos grande acontecimentos desportivos. Entretanto, com o Campeonato Africano as desistências ou a renúncia à organização ocorrem com uma frequência irritante.

O Egipto acaba de assumir a organização do CAN do presente ano, inicialmente sob responsabilidade dos Camarões, numa situação que causou algum embaraço à Confederação Africana de Futebol, que se viu na contingência de se desdobrar em várias frentes em busca de alternativa. Valha-nos o facto de  a prova ter mudado de período de disputa. Ou seja, de Janeiro para Junho. Ao contrário, o constrangimento seria incalculável.
Pensamos que a CAF deve, na atribuição das competições, numa disputa em que às vezes intervêm vários países, avaliar um conjunto de factores, devendo contar não só a capacidade de organização e a imponência de infra-estruturas, mas também a condição de estabilidade política. O Boko Haram, que forçou as autoridades camaronesas à desistência, quando a prova foi atribuída já fazia das suas, semeando pânico e terror.
Logo, foi um clamoroso erro da CAF ter escolhido Camarões em detrimento de outras candidaturas. Mesmo agora anuiu à candidatura camaronesa para 2021. Pergunta-se: estará este grupo terrorista em vias de extermínio ou teremos de-pois que ouvir a mesma ladainha? Talvez fosse sensato esquecer este país, enquanto não alcance a estabilidade política. As mudanças de sede da maior competição futebolística do continente não devem ser uma constante.
Em 1996 a África do Sul, que se preparava para a edição de 1998,  teve de assumir a prova por desistência, sem razões fundadas, do Quénia, obrigando o Burkina Faso, que trabalhava para a prova de 2000, a acolher a de 1998. Em 2015 o Marrocos, assustado com o surto de Ébola que atingiu alguns países Oeste africanos, passou a bola à Guiné Equatorial. Tudo isso dá sempre lugar a constrangimentos. À organização e aos participantes. Urge, pois, pôr ordem na casa.

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