Opinião

Qual é a coisa qual é ela que nem é gente nem decente

Álvaro Domingos |

Acabo de ler os pensamentos de Confúcio. o eterno sábio recordou-me que a paciência é uma virtude e está na base de grandes vitórias da Humanidade.

A leitura aconteceu antes de passar os olhos por um requerimento da titubeante plumitiva Fernanda Câncio, no jornal “Diário de Notícias”. Ao dar uma de muito macha e com eles no sítio, a azougada criatura marcou lugar na secção da UNITA do Partido Socialista, não vá a alternância ser mais breve que o esperado, ao mesmo tempo que se ofereceu ao império do senhor Pinto Balsemão, quiçá para reforçar os eixos do mal.
A moçoila é exibicionista e põe ao léu a sua indigência intelectual. O Presidente José Eduardo dos Santos deu uma entrevista a um jornalista “free-lancer” há mais de 15 dias. E só agora a plumitiva se lembrou de falar do assunto. Qual é a coisa qual é ela que tem rosto de mulher mas não é mulher, enche o papo de dinheiro por ser jornalista mas não é jornalista, namora com homens do poder mas não namora, está preocupada com a fortuna dos outros mas não quer saber da fortuna dos que lhe pagam a fama e a glória. Fernanda Câncio, em pessoa!
A azougada plumitiva escreve que em Portugal, Angola é “tratada com pinças”. Como se vê pelo seu arrazoado trágico e ao mesmo tempo cómico. A caprichosa que não é uma coisa nem outra devia estar a pensar numa palavra similar, a qual sofreu a síncope do “n”. Mas atendendo às suas orientações sexuais, posso estar enganado. Desde já lhe apresento as minhas desculpas. Câncio decidiu apanhar o último comboio, escrevendo uns desconchavados insultos à figura do Chefe de Estado de Angola e lançando maldades sobre duas das suas filhas. Para mostrar que tem lastro cultural e não é uma cabeça oca atravessada pelo vento, foi dizendo que os teres e haveres de uma empresária angolana ser devem ao facto de estar próxima do poder. A plumitiva aspirante a caprichosa esgrime um argumento que foi lançado para a mesa das discussões ideológicas por Enriço Malatesta, desde finais do século XIX. Já a poeira do esquecimento sepultou o grande pensador e Câncio ainda arrota uma das suas ideias favoritas e que posso descrever assim: todas as grandes fortunas resultam de uma ligação com o poder político.
A plumitiva aspirante a caprichosa nunca escreveu nada sobre a origem da fortuna do senhor Belmiro de Azevedo, do seu filho ou do seu neto, que também já entrou no mundo fascinante da multiplicação das fortunas. Nada escreveu sobre a origem da fortuna do senhor Alexandre dos Santos, patrão do império do Pingo Doce. Ou dos seus filhos. Nicles sobre a origem da fortuna do seu patrão, o senhor Joaquim Oliveira. Vá lá saber-se porque razão está preocupada com a origem da fortuna dos empresários angolanos e logo agora, que se anuncia a entrada de um grupo angolano na empresa onde ganha a vida, presumo que honestamente. Câncio nunca escreveu uma linha sobre Mário Soares e seu filho João. Um era Presidente da República Portuguesa e o outro presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Desde já afasto a suspeita de corrupção ou nepotismo sobre ambos. Um grande jornalista português meu amigo, disse-me que nunca a capital portuguesa teve um presidente tão competente. Mérito a João Soares! Anda na política porque tem mérito, é eleito porque tem valor e não por ser filho de Mário Soares.
O genro do senhor Presidente Cavaco Silva comprou um grande pavilhão na “Expo” por muitos milhões de euros. Câncio deve ter algo a escrever sobre isto, já que está tão preocupada com as relações familiares dos empresários angolanos. Mas eu vou poupar-lhe a vergonha de garatujar mais uns disparates. O comprador tem mérito. É grande profissional da Rádio e aprendeu no berço a organizar espectáculos. O seu pai, Luís Montez, foi o maior empresário angolano de todos os tempos, na área da cultura e do entretenimento.
Só mais uma. O filho do antigo Presidente Jorge Sampaio, mal acabou os estudos universitários arranjou logo um excelente emprego numa empresa de topo em Portugal. Não, não foi nepotismo. Sou amigo de um alto quadro dessa empresa que me disse isto: ele é um génio. Tenho dúvidas que o aguentemos muito tempo em Portugal! A plumitiva Câncio devia reflectir um pouco antes de se escrever aleivosias que lhe ficam mal e desprestigiam o jornal onde ganha o pão. Em Angola, como em todo o mundo, há empresários excepcionais, que ganham muito dinheiro. E políticos extraordinários, que passaram toda uma vida a lutar pela liberdade, pela justiça, pela democracia, pela felicidade do Povo Angolano. José Eduardo dos Santos é o número um. Se não fosse tão estouvada, explicava-lhe porquê.
Se quer um lugar à sombra do próximo governo português, Câncio não precisa de insultar e difamar os políticos e empresários angolanos, sejam eles quais forem. Mas se escrever baboseiras é a sua sina, então use a matéria-prima que tem em casa. Vai ver que precisa de séculos para falar de tudo e de todos.
A plumitiva qual é a coisa qual é ela cita uma reportagem feita por Cândida Pinto em Angola sobre os nossos meninos de rua. Neste ponto senti-me insultado. Porque aquilo não é reportagem nenhuma. Apenas um exercício medíocre de propaganda baratucha. Fique sabendo a plumitiva azougada que, naquele tempo, as ruas de Luanda eram hotéis de cinco estrelas para aquelas crianças, em comparação com o que tinham nas suas províncias de origem. Os amigos da plumitiva e de Cândida Pinto mataram a esmo e destruíram. Aquelas crianças foram as que escaparam à morte. Há uma criança que não teve a felicidade de chegar às ruas de Luanda. Uma mãe do Uíge, minha parente, deu à luz uma menina, quando as tropas da UNITA ocuparam a cidade e mataram a torto e a direito os que não eram do seu partido. O pai foi para a vala comum. E a criança morreu um mês depois, à fome, porque a mãe não teve leite. Se Câncio fosse gente, respeitava a tragédia que os angolanos viveram durante a guerra.
O problema é que ela, no seu requerimento, diz que a “descolonização” foi em 1975 e portanto já houve tempo para melhorar os índices de desenvolvimento humano em Angola. Para ela, entre a Independência Nacional e hoje, nada aconteceu. Nem guerra, nem mortes, nem destruições. Se Câncio só é capaz do qual é a coisa qual é ela, desconfio que não tem lugar na secção da UNITA do Partido Socialista nem nos eixos de Pinto Balsemão. Vai ter que namorar outra vez com gente fina, seja primeiro, segundo ou terceiro ministro.
A plumitiva elogia os seus comparsas do Eixo do Mal, porque insultaram e difamaram o Presidente José Eduardo dos Santos. Pobre tontinha. A Clara Ferreira Alves esganiçou-se toda porque está a precisar de disfarçar aquelas peles no pescoço de perua. A pele esticadíssima da cara também começa a dar sinais de lassidão. Precisa de dinheiro para mudar a fachada. Os outros, coitados, são a boa acção de Pinto Balsemão. Aturá-los, é uma obra de caridade.
Recado final: Câncio, José Eduardo dos Santos foi eleito sempre que houve eleições livres e justas em Angola. Numa eleição, teve mais de 80 por cento dos votos. Na última, mais de 70 por cento. Tente ser decente!

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia