Opinião

Os espirros imperialistas contra a Síria

Manuel Rui |

Trump tem o predicado de acumular os problemas de forma a baralhar tudo, inclusivé, dizendo hoje o contrário do que disse ontem, agora a maka sem sentido mas com para o “puritanismo” é a daquela senhora dos filmes pornográficos.

Theresa May, que como Trump nem mereceu convite para o casamento dos príncipes reais, anda apressada e fala nervosa porque o Brexit ainda vai dar que fazer. Mácron, o jovem muata francês, anda atrapalhado com os sindicatos. Quer dizer, os três têm problemas domésticos acrescidos dos efeitos colaterais do que fizeram desde a invasão do Iraque, as “primaveras e principalmente o dos refugiados.
Um ex-espião russo residindo em Inglaterra, foi encontrado, julgo que num banco de jardim, intoxicado mais a filha. Ninguém esclareceu ainda mas vai daí May empurrou para a Rússia, retirou diplomatas ingleses da Rússia e expulsou os diplomatas russos no reino Unido. Trump fez o mesmo, Mácron e outros países ocidentais. No entanto, o chefe do laboratório militar britânico de Porton Down, Garya Aitkenhead, afirmou que não foi possível determinar que o agente neurotóxico usado no envenenamento procedesse da Rússia. Repetia-se a vergonha do Iraque com arma principal de convencimento que é a televisão manipuladora. No Iraque, primeiro reuniram três criminosos, autores de actos preparatórios para crimes contra a humanidade, Durão Barroso, o anfitrião da base nos Açores, Azenard, cachico do americano e Bush o chefe, com a urgência de vingar as torres. E O Iraque foi invadido sem autorização das Nações Unidas e contra o veredicto da Comissão Internacional que não encontrou armas nucleares. E assim se destruiu um pedaço da cultura da humanidade.
O genocídio no Iraque ampliou a desestabilização no médio oriente. Por outro lado, a União Europeia tentou a expansão para o ex bloco socialista e colidiu com a Rússia por causa da Crimeia e da Ucrânia.
Como a Rússia apoia o presidente da Síria e ajudou a recuperar espaço, então todos contra a Rússia, imagens na televisão passadas repetidamente para tocar as emoções contra a guerra química acusando a Rússia que pediu provas. Mácron teve a lata de dizer que as provas eram secretas e, pelos vistos, depois de lançados os 105 mísseis, com o aparato do porta-aviões, dos aviões, tudo num ambiente de suscitar o medo e demonstração de força. Despejaram os mísseis. Os russos falam que abateram 71 e os sírios apareceram na televisão a festejar o fracasso…
Espantoso é que só cumpre o tratado contra as armas químicas quem as não produz. Ora a América é o maior produtor dessas armas. Para quê? Para usar como fez no Vietnam e no Iraque com napalm. E forneceu napalm a Portugal que despejou, por exemplo, no massacre sobre trabalhadores do algodão.
Agora. Se houve crianças vítimas de armas químicas não era mais “político” oferecer hospitais em vez de enviar mísseis de grande impacto ambiental. Imaginemos que a Síria tinha laboratório e fábrica de armas químicas. Caindo em tais lugares mísseis, multiplica-se o impacto ambiental, quer dizer, em nome das crianças intoxica-se o ar para que as pessoas possam até vir a morrer passado alguns anos (dizem os peritos).
É uma pena para quem se interessa pela história das antigas civilizações antes de Cristo. Nesse então, a Síria incluía a Mesopotâmia (hoje Iraque) e o Líbano. A região compreendida entre a Península da Anatólia, a Turquia e a Península do Sinai já era denominada como Síria. Os egípcios sempre cobiçavam aquela região que viam como porta de entrada do país e, para os persas, ponte para ampliação do seu império. Na Síria aconteceu a Civilização Fenícia que criou a primeira civilização mercantil do planeta, inventaram o alfabeto, foram grandes em arte, cerâmica, construção naval, fabrico de tecidos, instrumentos de navegação. A expansão desses conhecimentos em toda a região mediterrânica está na origem daquilo a que viria a ser chamada Civilização Ocidental, cujos expoentes principais foram os gregos. Em Aveiro, Portugal, dizem que os barcos que passeiam os turistas na ria, de proa caprichosamente levantada como palma de mão, são de origem fenícia.  
A Síria até chegar aos dias de hoje passou pelo Califado Omíada que mudou a Igreja de S. João Baptista para Mesquita Omíada de Damasco. Para o cristianismo é significativa por se pensar que o apóstolo Paulo foi convertido na estrada de Damasco.  No séc. XVI foi província Otomana (Turca). Depois da queda do Império Otomano, durante a primeira guerra mundial a Síria foi administrada pela França até à sua independência em 1946. Manteve uma postura em defesa da Palestina e foram aliados do Egipto na guerra do Suez. Nasser, líder carismático do Egipto, tentou a experiência da República Árabe Unida que só durou de 1958 a 1961.
Em 1963 uma revolução popular levou ao poder o Partido Árabe Socialista. Depois da “Guerra Fria,”em 2000 Bashar al-Assad sucede ao pai no poder. Os protestos populares contra o governo de Assad começam em 2011 e acaba numa guerra civil de grande escala até aos nossos dias.
 E voltando à missilagem, os Estados Unidos terão de gastar cerca de 60 milhões de dólares para repor o arsenal de mísseis usados no ataque à Síria…e a empresa fabricante viu suas acções subirem no mercado como nunca.
Agora, quando houver turismo em Angola, se uma senhora vende uma caneca de kissangua e um cartucho de jinguba a um inglês, ele fica mal disposto e vai para o hospital, a kissangua era dos russos? E se um russo e a filha tomam vodka em Londres e depois vão para o hospital? Claro que foram os russos. E se em vez de vodka for uísque?

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