Opinião

A Carta Encíclica do Papa Bento XVI

Muanamosi Matumona | Portugal

Bento XVI publicou no princípio deste mês uma belíssima Carta Encíclica (denominação de um documento importante com o qual o Sumo Pontífice transmite uma mensagem doutrinal actualizada acerca de um tema específico de interesse geral) intitulada “Caritas in Veritate” (Caridade na Verdade).

Bento XVI publicou no princípio deste mês uma belíssima Carta Encíclica (denominação de um documento importante com o qual o Sumo Pontífice transmite uma mensagem doutrinal actualizada acerca de um tema específico de interesse geral) intitulada “Caritas in Veritate” (Caridade na Verdade).
 Nela o Santo Padre retoma, de uma forma consistente, os ensinamentos do Papa Paulo VI, propostos através da famosa Encíclica “Populorum Progressio” (O desenvolvimento dos Povos»), publicada em 1967.
Nesta, reflectiu-se seriamente sobre o desenvolvimento humano integral, quando o mundo entrava, decisiva e imparavelmente, numa nova fase em que a modernização da sociedade levantava muitos problemas morais. Este facto era muito bem aproveitado pelo capitalismo que cada vez mais ganhava terreno, relegando para plano secundário os valores morais e éticos que deveriam fundamentar o progresso e o desenvolvimento.
Com esta intervenção assinalada pela publicação da “Caritas in Veritate”, Bento XVI convida os destinatários desta Carta Encíclica (todos os homens de boa vontade, independentemente do seu estatuto social e do seu credo religioso e político) a celebrar de uma maneira inteligente e responsável os 40 anos do “Populorum Progressio” de Paulo VI, pois esta última já tinha traçado a estrada do desenvolvimento com todo o coração e inteligência.
 Daí a necessidade de retomar os seus ensinamentos, quando o mundo está cada vez mais mergulhado no processo da globalização, que não escapa às mesmas ”tentações” que “minaram” a sociedade já no século passado.
Apreciando atentamente o conteúdo da última Encíclica, não há qualquer dúvida de que o documento é aconselhável principalmente a políticos e economistas, homens que também asseguram o destino da sociedade.
As faltas que vão sendo cometidas consciente e inconscientemente pelos líderes das nações na sua actuação, que deveria visar o bem comum, continuam a ser gritantes, pelo que dificultam a implantação de uma civilização do amor e da verdade. Bento XVI sustenta vivamente que sem caridade e sem verdade cria-se uma cultura vazia que, perigosamente, leva o mundo à perdição. Nestas circunstâncias, o progresso e o desenvolvimento não levam o “selo” da ética que, automaticamente, deixa de ser uma referência.
O Sumo Pontífice assegura ainda que “O amor - caritas - é uma força extraordinária, que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz” (nº 1). Mais adiante, Bento VXI sublinha: “Estou consciente dos desvios e esvaziamento de sentido que a caridade não cessa de enfrentar, com risco, daí resultante, de ser mal entendida, de ser excluída da vida ética e, em todo o caso, de impedir a sua correcta valorização. Nos âmbitos social, jurídico, cultural, político e económico, ou seja, nos contextos mais expostos a tal perigo, não é difícil ouvir declarar a sua irrelevância para interpretar e orientar as responsabilidades morais” (nº 2). Numa altura em que o mundo está a ser fortemente ameaçado pela crise económica internacional, o Santo Padre teve de focar este aspecto com frases como estas: “É verdade que o desenvolvimento foi e continua a ser um factor positivo, que tirou da miséria milhões de pessoas e, ultimamente, deu a muitos países a possibilidade de se tornarem actores eficazes da política internacional. Todavia, há que reconhecer que o próprio desenvolvimento económico foi e continua a ser molestado por anomalias e problemas dramáticos, evidenciados ainda mais pela actual situação de crise” (nº 21).
Como se pode notar, a mensagem de Bento XVI é de suma importância para toda a sociedade. Infelizmente, como o mundo não está nada preparado para coisas boas e pacíficas, os Media internacionais nem sequer destacaram a publicação desta Encíclica “Caritas in Veritate”, pelo que também não revelaram a riqueza da sua mensagem, que é actual e pertinente, tendo em conta o momento actual da história.
Tivesse o Papa falado de novo sobre os preservativos, condenando o seu uso, o mundo teria mais um coro de protestos e a assanhada animosidade da comunicação social, que perde ocasiões para dar boas notícias. Teria ainda várias interpretações ambíguas e unilaterais que, muitas as vezes, reduzem a mensagem papal a uma polémica desnecessária, já que interessa apenas a muitas figuras e instituições de destaque que não consideram os valores éticos e morais na sua actuação, provocando uma série de dramas que apenas beneficiam uma determinada classe. Tudo indica que os Media internacionais estão muito mais atentos a outros pormenores que criam ocasiões para levantar polémica.

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