Política

60 milhões de dólares para remoção de minas

O Governo angolano anunciou ontem o investimento de 60 milhões de dólares para a remoção de minas terrestres da bacia do rio Okavango, no âmbito de uma conferência em Londres.

Cuando Cubango é a província com mais campos minados
Fotografia: Weza Pascoal |?Edições Novembro

O financiamento, a aplicar num projecto da organização não-governamental britânica Halo Trust ao longo de cinco anos, destina-se a limpar 153 campos minados dentro dos parques naturais de Mavinga e Luengue-Luiana, na província de Cuando Cubango.
Na região, disse James Cowan, presidente executivo da Halo Trust, vive 50 por cento da população de elefantes do mundo e tem uma grande diversidade de vida selvagem, abrangendo Angola, Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe.
Todavia, a presença de minas terrestres impede tanto o trabalho de ambientalistas como o uso das terras para agricultura.
A região tem também potencial em termos turísticos, podendo beneficiar globalmente cerca de 500 mil pessoas, adiantou Adriano Gonçalves, director de Relações Internacionais da Comissão Nacional Intersectorial de Desminagem e Assistência Humanitária (CNIDAH).
A Halo Trust estima que sejam precisos mais 60 milhões de dólares para limpar os campos minados restantes junto aos parques naturais, tendo Cowan lançado um apelo a contribuições para completar o financiamento necessário. O projecto foi revelado durante a conferência "Remoção de Minas, Conservação Natural e Desenvolvimento Económico em Angola", organizado no Instituto Real de Relações Internacionais - Chatham House, em parceria com a Halo Trust.
Numa intervenção no final do evento, a ministra do Ambiente, Paula Coelho, vincou que este investimento não será apenas aplicado na desminagem, mas também na certificação de terrenos limpos, para atrair investidores.
“Angola tem o potencial de abrigar mais elefantes do que tem agora”, garantiu Paula Coelho, referindo o desejo de colaboração com outros países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para facilitar a circulação destes animais na região.
De acordo com um relatório do grupo parlamentar interpartidário britânico sobre Angola, produzido pelo Chatham House, a província do Cubango Cubango é a mais afectada do país, representando 25 por cento do total dos campos minados, correspondente a cerca de 22 quilómetros quadrados.
Até 2017, 15 anos depois do fim do conflito armado, a Halo Trust, juntamente com as organizações Mines Advisory Group (MAG) e Norwegian's People Aid (NPA) tinham limpado 56 por cento dos campos minados em Angola. Na última década, o financiamento internacional caiu 80 por cento, de um pico de 48,1 milhões de dólares em 2006 para um mínimo histórico de 3,1 milhões de dólares em 2017.
Para Angola atingir o objectivo de eliminar todas as minas terrestres até 2025 precisa de 275 milhões de dólares, ou 40 milhões de dólares por ano. Porém, o relatório estima que, à taxa actual de financiamento, o objectivo só será atingido em 2046.
A conferência foi concluída pelo príncipe Harry, que participou noutros eventos relacionados com a remoção de minas terrestres, seguindo os passos da mãe, que apadrinhou a campanha ao visitar Angola em 1997.
O príncipe recordou a visita que efectuou em 2013 e o impacto das minas terrestres não só na população, mas também “no ambiente e na vida selvagem, e consequentemente na economia” nacional, fazendo deste um “problema humanitário”.

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