Política

95 por cento do comércio externo passa pelo mar

Garrido Fragoso

Em Angola, mais de 95 por cento do comércio externo passa pelo mar, revelou, ontem, em Luanda, o ministro da Defesa Nacional, Salviano de Jesus Sequeira “Kianda”.

Ministro Salviano de Jesus Sequeira destaca importância do mar
Fotografia: Maria Augusta | Edições Novembro

A maior fatia do Produto Interno Bruto (PIB) do país, acrescentou, é proveniente de hidrocarbonetos extraídos no offshore (mar).

Salviano de Jesus Sequeira “Kianda”, que discursava na abertura do Seminário Internacional sobre Segurança Marítima no Golfo da Guiné, disse que para assegurar, de forma efectiva, o controlo e a protecção do mar, o Executivo criou o Sistema Nacional de Vigilância Marítima.
Pretende-se, com o sistema, garantir o exercício dos direitos soberanos e jurisdicionais nas águas interiores, mar territorial e zona económica exclusiva, bem como a partilha de informações entre os organismos que intervêm no mar.
Um grupo de trabalho foi criado para operacionalizar o Sistema Nacional de Vigilância Marítima, coordenado pelo Ministério da Defesa Nacional, e que vai dispor de um Centro Nacional de Coordenação e Vigilância Marítima, que será apoiado por quatro centros regionais em construção em Cabinda, Soyo (Zaire), Lobito(Benguela) e Namibe.
Salviano de Jesus Sequeira “Kianda” falou da necessidade de potenciação da Marinha de Guerra Angolana. Indicou que o processo tem encontrado dificuldades, que são decorrentes da crise económica e financeira do país. O programa prevê a instalação de meios e equipamentos de vigilância e observação de longo e curto alcance, compra de embarcações para a realização de acções de patrulha, missões oceânicas e de busca e salvamento.
Salviano de Jesus Sequeira “Kianda” manifestou a disponibilidade das forças de Defesa e Segurança do país na protecção da plataforma marítima dos Estados da Comissão do Golfo da Guiné.
O ministro da Defesa Nacional, que discursava na abertura do Seminário Internacional sobre Segurança Marítima no Golfo da Guiné, na sala de conferências do Comando do Exército, indicou que a intenção é tornar “mais efectiva” a cooperação no espaço marítimo da região.
“A segurança no Golfo da Guiné coloca-nos enormes desafios, atendendo a extensão da zona, a vulnerabilidade das fronteiras entre Estados, bem como a dimensão geoestratégica, devido aos recursos naturais que possui e as crescentes ameaças do crime transnacional, terrorismo, tráfico de drogas e de seres humanos”, sublinhou.
O ministro indicou que grande parte dos países da região tem, no mar, um complemento vital para as actividades comerciais e económicas.
O ministro reconheceu os esforços dos Estados do Golfo da Guiné na preservação da segurança do tráfego marítimo, combate à pirataria, pesca ilegal e outros males que afectam o espaço do Atlântico do Sul.
Sublinhou a necessidade de incutir nos cidadãos a consciência marítima, e a preocupação que os países costeiros devem ter com as matérias sobre segurança marítima e a gestão dos recursos.

Estratégia marítima
Temas como “A estratégia marítima integrada de África 2050 - Desafios e oportunidades da sua implementação”, “Enquadramento geopolítico de Angola enquanto Estado costeiro e seu papel na segurança do Golfo da Guiné”, “O modelo da autoridade marítima do Estado português”, foram abordados durante a conferência.
O director do Gabinete de Estudo, Planeamento e Estatística do Ministério das Relações Exteriores, Miguel Bembe, que dissertou sobre “A estratégia marítima de África- 2050”, lembrou que a estratégia apresenta medidas para a monitorização ambiental e pretende avaliar o estado de conservação da biodiversidade no domínio marítimo.
A estratégia, acrescentou, pretende ainda dar aos países membros da União Africana a oportunidade de desenvolver as indústrias de transporte e equipamento marítimos, construção naval e indústrias portuárias.
Integram a Comissão do Golfo da Guiné, Angola, Gabão, Nigéria, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, Camarões, RDC e Ghana.

 

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