Abril é o mês da Paz e da reconciliação

Florêncio de Almeida|*
24 de Abril, 2013

Fotografia: João Gomes

Antes de mais, gostaria de dar as boas vindas aos nossos convidados, extensivas aos distintos palestrantes, que se deslocaram até Roma para compartilharem connosco as suas reflexões sobre a Paz em Angola e seus benefícios.

Abril é para os angolanos o mês da Paz e da Reconciliação Nacional, cujo ponto mais alto acontece todos os anos no dia 4, que assinala o alcance da Paz efectiva, que desfrutamos há 11 anos. Estamos aqui para comemorarmos esta importante data na vida dos angolanos e reflectirmos sobre o papel desempenhado pelo artífice desta Paz e da Reconciliação Nacional.
Durante mais de três décadas, os angolanos conheceram, de forma quase ininterrupta, as agruras e malefícios da guerra, que geraram no nosso país milhares de mortes, miséria, fome, luto, dor, destruição, inimizades. Graças aos heróis do Luena, que assumiram o nobre compromisso de acabar com a Guerra, a Paz é hoje uma realidade indesmentível no nosso país.
Um destes heróis, que foi signatário do acordo de Paz no dia 4 de Abril de 2002 pelo Partido UNITA, está aqui presente para falar da sua experiência. Caro general Kamorteiro muito obrigado por nos brindar com a sua presença. Angola provou que tem o seu próprio modelo que é hoje referido como sendo um exemplo a seguir em África pela forma como terminou a guerra.  Depois da morte do Dr. Jonas Savimbi, houve vozes que se levantaram para a continuação da guerra até à eliminação total da UNITA, embora as Forças Armadas reunissem, naquela altura, condições para o fazer.
É neste quadro que gostaria de tecer algumas palavras à volta da dimensão humana do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que, no momento certo e despido de qualquer sentimento de vingança, estendeu a mão aos seus irmãos, promovendo o diálogo e uma política de reconciliação nacional.
A consolidação da Paz, a estabilidade política, o reforço da democracia, da reconciliação e da coesão nacional, a estabilidade macroeconómica e o estabelecimento das bases para um crescimento e desenvolvimento económico e social sustentável são o resultado da sábia liderança do Chefe de Estado.
A realização em Luanda da Conferência sobre a Cultura da Paz em África, numa iniciativa da UNESCO, em parceria com a União Africana, constituiu o reconhecimento do exemplo de Angola e do empenho pessoal do seu líder na resolução do conflito interno.
Ao intervir nesta Conferência, o Presidente da República afirmou que a Paz era, sem dúvida, “um dos bens mais preciosos para o continente africano e também aquele que o povo angolano mais preza e procura proteger e conservar a todo o custo”. E acrescentou: “sabemos por experiência própria quão dolorosos são os efeitos da guerra e quais os valores que a Paz propicia e encerra”.
Um dos aspectos importantes na construção da Paz em Angola é o respeito pelas diferentes opções das pessoas. Pela forma como resolveu o seu problema interno e como tem gerido o processo de reconciliação nacional, Angola está, sem sombra de dúvida, entre os países que pode fazer a diferença na resolução de conflitos e na promoção da cultura da Paz, com base na visão estratégica do seu líder.  A tranquilidade que se respira em todo o espaço nacional, fruto da Paz, permitiu que nos últimos 11 anos Angola conquistasse importantes resultados no campo do reforço das instituições democráticas e do respeito pelos direitos humanos, no domínio da sustentabilidade do desenvolvimento económico e do  aumento da qualidade de vida da população.
Em apenas 11 anos de Paz, o crescimento económico foi enorme. Construíram-se ou reconstruíram-se infra-estruturas que têm permitido melhorar as condições de vida dos angolanos. Segundo estatísticas mais recentes, nos últimos cinco anos, Angola cresceu a uma taxa média anual de 9,2 por cento, e a produção não petrolífera, neste período, quase duplicou. Os índices positivos de desenvolvimento macroeconómico registados, permitiram que o Comité de Políticas  e de Desenvolvimento  do Conselho Economico e Social das Nações Unidas considerasse Angola elegível para ser excluída, em 2015, da lista dos Países Menos Avançados.
Outro dos grandes desafios do Executivo é a diversificação da sua economia (ainda fortemente dependente do petróleo) com destaque para o desenvolvimento da agricultura, consubstanciada na reabilitação e construção de infra-estruturas de apoio à produção, nomeadamente perímetros irrigados, sistemas de conservação de produtos, como armazéns e silos. Actualmente, o orçamento destinado à agricultura vem conhecendo aumentos, o que tem possibilitado o incremento da produção agrícola, a redução das pessoas malnutridas e a redução dos índices de pobreza.
Enfim, estamos conscientes de que temos ainda um longo caminho a percorrer para a satisfação plena das necessidades da nossa população. Mas é também verdade que os resultados que temos vindo a alcançar permitem-nos encarar, cada vez com mais optimismo, um futuro melhor para a presente geração e a vindoura. Este é um dos grandes desafios do Executivo.
Aos nossos parceiros italianos, quero recordar, através dos seus representantes aqui presentes, o nosso firme compromisso de desenvolvermos uma cooperação a todos os níveis, principalmente depois da formação de um novo Governo.
Viva a Paz!

*Embaixador de Angola em Itália

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