Política

Acordo Ortográfico deve reflectir realidade dos países

Ana Paulo

Angola está a trabalhar com vista à ratificação do acordo ortográfico de 1990, discutindo com outros países algumas regras ortográficas que possam atender a realidade linguística de cada Estado-Membro, garantiu, ontem, em Luanda, o ministro das Relações Exteriores, Téte António.

Língua Portuguesa e Acordo Ortográfico no centro do colóquio
Fotografia: Agostinho Narciso| Edições Novembro

Ao intervir no colóquio da Semana da Língua Portuguesa, Téte António disse que a discussão sobre a aprovação do Acordo Ortográfico decorre na sede do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), na cidade da Praia, em Cabo Verde. O acordo, acrescentou, deve reflectir a realidade das línguas faladas em todos os Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O colóquio enquadra-se nas comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa e da Cultura dos Estados-membros da CPLP, que hoje se assinala.
Segundo o ministro das Relações Exteriores, a Língua Portuguesa exerce um papel aglutinador entre os angolanos, apresentando particularidades discursivas, pragmáticas, sintácticas, léxicas, morfológicas, fonológicas e prosódicas.

“O português é a nossa língua oficial, que evoluiu incorporando realidades das nossas línguas maternas, dado o convívio permanente e a incorporação de realidades socioculturais”, sublinhou, acrescentando que a Língua Portuguesa é um património comum, que une Angola ao Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A embaixadora de Angola junto da Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Ana Maria de Oliveira, afirmou que o país está no centro dos debates, com grandes questões ligadas ao ensino da língua portuguesa, daí a necessidade de se rever e ajustar programas, bem como capacitar os comunicadores e professores.

Centro de informação
Angola deverá acolher brevemente, em Luanda, o Centro de Informação das Nações Unidas (UNIC), com o objectivo de atender as necessidades informativas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Téte António, que tam-bém é o vice-presidente da Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), as negociações começaram há quase duas décadas.

Segundo Téte António, com a contribuição do Governo angolano e de outros países africanos de Língua Portuguesa, o português é hoje uma das línguas de trabalho de organizações intergovernamentais regionais, entre elas a União Africana (UA), Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL).

"O contributo do país visa projectar cada vez mais este importante instrumento de comunicação, que é a Língua Portuguesa", reconheceu o ministro das Relações Exteriores, satisfeito com os resultados obtidos nos últimos anos. O colóquio, que teve início ontem, decorre até sexta-feira, com a participação da coordenadora da Comissão Nacional do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, Paula Henriques, secretário permanente da Comissão Nacional da UNESCO, Alexandre Costa, e representantes dos países da CPLP, em formato virtual.

Entre os temas abordados ontem, destaque para o Estatuto da Língua Portuguesa na UNESCO, práticas de cooperação mutuamente vantajosas no domínio da formação de professores, estudo de diagnóstico à aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e subsídios linguísticos e pedagógicos.

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