Política

Acordo ortográfico exige planificação

Adelina Inácio|

 

O ministro da Educação disse que Angola não aderiu ao Acordo Ortográfico porque a sua aplicação podia trazer implicações no sistema de ensino. Pinda Simão fez a revelação aos deputados da Sexta Comissão da Assembleia Nacional.

Para a adopção do acordo, salientou, devem ter-se em conta alguns aspectos que têm implicações no sistema educativo.
Angola, sublinhou, fez um estudo sobre o acordo ortográfico e conclui que não devia avançar sem uma planificação.
Até o Brasil, que já estava a aplicar o acordo, disse, recuou e Portugal também questiona alguns aspectos do diploma.
O acordo ortográfico, lembrou, tem 25 bases orientadoras para a sua aplicação, mas há dificuldades em 20, o que faz com que haja diversidade de fórmulas as utilizar. “Ao definirmos a ortografia de uma determinada palavra podemos ter duas ou mais formas”, alertou.
Por isso, disse, era muito difícil adoptar o acordo ortográfico em Angola, país que já enfrenta problemas de língua portuguesa. Alguns sons, sublinhou, não estão representados no acordo e a adesão do país ao diploma punha em risco o património nacional. O ministro deu o exemplo da palavra Ndalatando que pelo acordo deixava de ser escrita como se escreve.
A preocupação sobre a aplicação do Acordo Ortográfico foi levantada pelo deputado Boaventura Cardoso. Durante o encontro, o  ministro da Educação garantiu aos deputados da Assembleia Nacional que o Executivo pretende alcançar até 2017 uma taxa de alfabetização de 87 por cento da população.
Pinda Simão  disse que o Ministério da Educação conseguiu, no ano passado, reduzir as taxas de abandono escolar, de reprovação e de analfabetismo.
O programa de educação especial e de alfabetização e atraso escolar decorre com êxito, fruto dos esforços de revitalização em curso. A cobertura educativa, assegurou o ministro, cresce de forma satisfatória. “Se continuar, podemos reduzir a incidência do analfabetismo”, salientou.
O ministro indicou que houve um aumento da taxa de aproveitamento escolar. Em relação aos dados recolhidos entre 2008 e 2012, a alfabetização cresceu de 15 por cento, no ensino especial, para 29,6 por cento. A taxa de aproveitamento escolar no ensino primário aumentou 30,4 por cento, no primeiro ciclo do secundário cerca de 76 por cento, e no segundo ciclo do ensino secundário 52,5 por cento.

Tempo

Multimédia