Política

Adalberto Júnior concorre a Presidente da República

Bernardino Manje e Edna Dala

Os delegados ao XIII Congresso Ordinário da UNITA, realizado entre quarta e sexta-feira, decidiram não mexer nos estatutos do partido, nomeadamente no ponto referente à candidatura ao cargo de Presidente da República.

Adalberto Costa Júnior foi eleito presidente da UNITA no Congresso encerrado sexta-feira
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

Os estatutos do partido estabelecem que o líder do partido é o cabeça de lista nas eleições gerais, mas, no congresso, tinha sido introduzida uma tese - para discussão - que previa que o candidato a Presidente da República não seria, necessariamente, o líder do partido. A maioria dos delegados “chumbou” a tese, pelo que Adalberto Costa Júnior, eleito presidente da UNITA, será, em 2022, o cabeça-de-lista do partido.

Com a eleição do novo líder do maior partido da oposição, alguns analistas vão fazendo uma projecções do que serão as próximas eleições gerais, prevendo uma disputa renhida entre o actual Presidente da República, João Lourenço (pelo MPLA), Adalberto Costa Júnior (UNITA) e Abel Chivukuvuku (pelo PRA-JA, caso a comissão instaladora seja reconhecida pelo Tribunal Constitucional).
O Presidente João Lourenço e Abel Chivukuvuku felicitaram Adalberto Júnior pela eleição na UNITA.
Os delegados ao Congresso da UNITA instaram os órgãos do partido a redobrarem esforços e prepararem-se para as grandes disputas que se aproximam, nomeadamente as eleições autárquicas, previstas para o próximo ano, e as gerais de 2022.
De acordo com o comunicado final, os delegados decidiram, por maioria absoluta, passar a realizar o congresso ordinário do partido de cinco em cinco anos, a partir do próximo conclave, que se realiza em 2023.
No documento, os congressistas deploram a ineficiência das políticas públicas e aquilo que consideram ser a incapacidade do Governo em dar resposta às vítimas da fome e da seca no Sul do país. Manifestaram preocupação com a crise económica, financeira e social, bem como com o quadro degradante das condições de vida dos cidadãos.
Os delegados apontam a partidarização contínua do Estado angolano como um dos grandes contributos para a estagnação do processo de democratização do país. Acusam o Executivo de falta de vontade política em criar medidas eficazes e abrangentes para o combate à corrupção.
Os congressistas manifestaram, igualmente, “total preocupação” com o atraso na aprovação do pacote legislativo que vai conduzir o processo da implementação das autarquias em 2020. Para os militantes da UNITA, tal atraso denota vontade deliberada de dilatação do processo.

Futuro de Samakuva
O ex-presidente da UNITA, Isaías Samakuva, garantiu, sexta-feira, que vai continuar activo na arena política e escrever as suas memórias.
Samakuva, que falava à imprensa depois de exercer o seu direito de voto na escolha do seu sucessor, avançou que tem muitos planos para o futuro, destacando a divulgação de mais obras da sua autoria, cujos esboços já existem. O sucessor de Jonas Savimbi adiantou que pretende viver no interior do país.
Por seu turno, o novo presidente da UNITA apontou a coesão e a unidade interna do partido como uma das suas primeiras grandes prioridades. Visivelmente emocionado pela eleição, Adalberto Costa Júnior sublinhou que qualquer partido que se preze tem como objectivo a conquista do poder: “isso é indiscutível e é o nosso objectivo que pensamos realizar em 2022”, disse. “Sentimos o pulsar da mudança e vai depender de nós ter a capacidade de realizar essa vontade dos angolanos”, acrescentou.

 

“Camaradas” querem consolidar o poder

O deputado e membro do Bureau Político do MPLA Mário Pinto de Andrade disse ser saudável para o processo democrático em Angola que os partidos políticos, de quando em quando, renovem as lideranças.
Em declarações ao Jornal de Angola, para reagir à eleição de Adalberto Costa Júnior a de presidente da UNITA, Mário Pinto de Andrade afirmou que, com a nova liderança, o maior partido da oposição está “numa nova fase” e vai lutar para chegar ao Governo.
Deixou claro que o MPLA vai continuar a trabalhar para permanecer no Executivo. “Temos de ter a consciência que estamos num processo de competição política. Vamos ter eleições autárquicas e, novamente, as gerais, em 2022. O MPLA continua a ter um programa para renovar o Governo até porque nunca perdeu nenhuma batalha”.

 

 

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