Política

“Adalberto tem projecto para o alcance do poder”

Bernardino Manje Adolfo Mundombe | Huambo V. Victor e E. Cunha | Malanje

O general na reserva Demóstenes Chilingutila exortou ontem, no Cuito, os delegados ao XIII Congresso da UNITA a saberem eleger bem o próximo presidente do partido, sublinhando que Adalberto Costa Júnior é o candidato com o melhor perfil para dirigir a formação política fundada por Jonas Savimbi.

Adalberto Júnior e Alcides Sakala querem suceder a Samakuva
Fotografia: Edson Fabrizío e Santos Pedro | Edições Novembro

Demóstenes Chilingutila, que falava para militantes do partido no Bié, no âmbito da campanha de Adalberto Júnior para a liderança da UNITA, considerou que o ainda presidente do grupo parlamentar “pode protagonizar um projecto mobilizador para a sociedade, com vista ao alcance do poder político em 2022”, ano em que se realizam as próximas eleições gerais. “Devemos eleger o engenheiro Adalberto Costa Júnior para dirigir o nosso partido porque ele pode”, sustentou.

O também antigo deputado admitiu que a vitória de Adalberto Júnior, apesar de possível, não vai ser fácil, pela campanha de inverdades que são feitas, sobretudo nas redes sociais. “Já ouvimos dizer que esta candidatura (de Adalberto) representa o recuo em relação ao Projecto de Muangai. São falsas essas afirmações”, garantiu o general, que exortou os militantes a serem cautelosos com as redes sociais, pois, disse, também são usadas para divulgar falsidades.
“É preciso saber escolher, sobretudo em momentos decisivos como este que o nosso partido está a viver”, alertou Chilingutila, referindo-se ao processo que vai levar à eleição do novo líder da UNITA. Natural do Bié, antigo chefe do Estado-Maior das FALA (então exército da UNITA) e vice-ministro da Defesa Nacional no então Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN), Demóstenes Chilinguitila é um dos mais de 120 subscritores da candidatura de Adalberto Júnior.
Entre os subscritores destacam-se, igualmente, outras figuras de proa do partido como Samuel Chiwale (co-fundador do partido), Ernesto Mulato (ex-vice-presidente do partido e actual 3º vice-presidente da Assembleia Nacional) e Jardo Muekália (radicado nos EUA). Além destes, destaca-se, igualmente, Vitorino Hossi, antigo ministro do Comércio no GURN, Luyana Ginga Sakaita e Esmaiel Seteko Sakaita Savimbi, filhos do fundador da UNITA.

Filha de Savimbi
Luyana Ginga Sakaita apelou ontem, no Cuito, ao voto massivo dos delegados ao congresso, especilamente dos jovens, em Adalberto Júnior, informou o porta-voz da candidatura, Alcino Kuvalela.
Numa clara alusão ao facto de Adalberto Júnior ser mestiço, a filha de Jonas Savimbi desafiou a UNITA a combater o racismo e a intriga no seio do partido.
Depois do Bié, Adalberto Júnior passa pelo Cuanza-Sul e depois segue para Benguela. Já esteve no Huambo e Cuando Cubango. Caso seja eleito, propõe-se a revitalizar o centro de formação política da UNITA, dotar de condições de trabalho as estruturas do partido nos municípios e comunas, bem como melhorar a situação dos quadros que se dedicam a tempo inteiro ao serviço do partido.

Sakala encerra digressão pelo Norte

Alcides Sakala, tido como o candidato da continuidade, por estar a ser apoiado pela maior parte dos membros da direcção cessante, entre os quais familiares de Jonas Savimbi, terminou, ontem, em Ndalatando, a digressão pelo Norte do país.
Em declarações à imprensa, Alcides Sakala fez um balanço positivo do périplo por Mbanza Kongo (Zaire), Uíge, Bengo, Malanje e Cuanza-Norte, onde teve contacto com militantes.
O candidato inscreve, entre as prioridades, a reafirmação da UNITA enquanto “vanguarda democrática no país” com vista à promoção das mudanças que, segundo ele, devem ocorrer no próximo ano, com as autárquicas, e em 2022, com as eleições gerais.
Em Malanje, Sakala sublinhou que o que acontece nesta altura, na UNITA, é uma luta de ideias. O congresso, disse, deve ser encarado como um momento de festa e da consolidação da democracia.

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