Política

Adiado julgamento de “Zenu” dos Santos

O início do julgamento do antigo presidente do Fundo Soberano de Angola, José Filomeno dos Santos “Zenu”, e do ex-governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Valter Filipe da Silva, marcado inicialmente para a próxima quarta-feira, foi adiado por indisponibilidade da defesa.

Fotografia: DR

Num comunicado de imprensa, o Tribunal Supremo informa que a defesa de Valter Filipe da Silva, ex-governador do BNA, solicitou o adiamento do início do julgamento “pelo facto de estar a participar, na qualidade de advogado constituído, no julgamento que decorre no Supremo Tribunal Militar, devendo designar-se nova data oportunamente”.
O julgamento em causa é o do general António José Maria “Zé Maria”, antigo chefe do Serviço de Inteligência e de Segurança Militar (SISM), acusado dos crimes de extravio de documentos, aparelhos ou objectos contendo informações de carácter militar, e insubordinação. Este mesmo julgamento retoma amanhã.
O processo em que são arguidos, além de Valter Filipe da Silva e José Filomeno dos Santos “Zenu”, Jorge Gaudens Pontes Sebastião e António Samalia Bule Manuel, deveria começar a ser julgado no dia 25 de Setembro.
Em causa está a suposta transferência irregular de 500 milhões de dólares do Banco Nacional de Angola para um banco britânico, em Setembro de 2017.
Os arguidos foram pronunciados pelos crimes de branqueamento de capitais e de peculato.
José Filomeno dos Santos "Zenu", filho do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, foi constituído arguido em Março de 2018, na mesma altura em que o antigo governador do BNA Valter Filipe da Silva.
Em Abril do ano passado, o Governo angolano confirmou, através de um comunicado do Ministério das Finanças, que já recuperou os 500 milhões de dólares, transferidos para uma conta bancária em Londres.
“Como resultado das várias diligências encetadas, cumpre-nos levar ao conhecimento público que os 500 milhões de dólares americanos já foram recuperados, estando em posse do BNA”, referia-se no documento.
O Governo explicou que tudo começou antes da realização das eleições gerais de Agosto de 2017, quando a empresa Mais Financial Services, administrada pelo angolano Jorge Gaudens Pontes e auxiliado por José Filomeno dos Santos, “propôs ao Executivo a constituição de um Fundo de Investimento Estratégico”, que mobilizaria 35 mil milhões de dólares “para o financiamento de projectos considerados estratégicos para o país”.
O ex-presidente do Fundo Soberano de Angola esteve em prisão preventiva de 24 de Setembro de 2018 a 24 de Março deste ano, estando agora sujeito a termo de identidade e residência.

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