Política

Angola augura estabilidade na zona dos Grandes Lagos

João Dias

Os Chefes de Estado de Angola, República Democrática do Congo (RDC), Rwanda e do Uganda condenaram ontem, em Luanda, a persistência de grupos armados no leste do país que obstaculizam o processo de paz em curso e desestabilizam os países vizinhos.

Cimeira de Luanda abordou questões de segurança no espaço regional comum
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

No comunicado final da Cimeira Quadripartida de Luanda apresentado pelo ministro angolano das Relações Exteriores, Manuel Augusto, João Lourenço (Angola), Félix Tshisekedi (RDC), Paul Kagame (Rwanda) e Yoweri Museveni (Uganda) saudaram os esforços empreendidos pelas autoridades da RDC na pacificação de todo o território nacional, mas condenaram a evolução e persistência dos grupos armados.
Os quatro Chefes de Estado passaram revista a situação política, económica e de segurança no continente, em geral, e na sub-região, em particular, bem como o reforço da cooperação entre os quatro países.
Ontem, na abertura da Cimeira Quadripartida realizada no Palácio da Cidade Alta, em breves considerações, o Chefe de Estado angolano, João Lourenço, disse esperar que muitos dos problemas que a sub-região dos Grandes Lagos tem vivido nos últimos tempos venham a conhecer, não uma solução imediata, mas, pelo menos, uma esperança por dias melhores num futuro breve.
Em causa está a necessidade da erradicação dos grupos armados e “forças negativas” que cada vez mais vão ganhando corpo, com alguma estratégia elaborada, organização e acesso a materiais bélicos. Perante os seus homólogos, o Presidente João Lourenço lembrou que a erradicação, embora, não imediata, deve conferir alguma esperança por dias melhores. “Mais uma vez, aproveitar a oportunidade para agradecer o facto de terem aceitado vir a Luanda, na certeza de que muitos dos problemas que a sub-região vive em concreto poderão conhecer, não digo uma solução imediata, mas, pelo menos, uma esperança de que possamos conhecer dias melhores no futuro breve”, afirmou o Chefe de Estado angolano.
“Não trazemos um discurso formal de abertura desta Cimeira entre o Uganda, Rwanda, RDC e Angola”, justificou o Chefe de Estado angolano, em breves declarações, marcando o início dos trabalhos, que começaram às 13h e se prolongaram até perto das 16 horas.
João Lourenço disse que a Cimeira quadripartida surgiu na sequência da recente mini-Cimeira, que teve lugar na cidade de N’Sele, arredores de Kinshasa (RDC), onde os Chefes de Estado de Angola, Rwanda e da RDC procuraram analisar questões relativas à Segurança, não em toda a região dos Grandes Lagos, mas, sobretudo, nas fronteiras entre o Rwanda, o Uganda e a RDC .
“Esta Cimeira de N’Sele recomendou que se organizasse uma outra que poderia ter lugar quer em Kinshasa quer em Luanda, ou ainda, na impossibilidade de ser numa destas cidades, poder vir a ter lugar em Addis Abeba (Etiópia)”, explicou o Presidente da República, lembrando que, após consultas feitas aos Chefes de Estado, concluiu-se que a Cimeira deveria ter lugar em Luanda.
“Após estas consultas, concluímos que devia ter lugar na cidade de Luanda. A Cimeira foi relativamente alargada. Desta vez, entendeu-se convidar também o Presidente Yoweri Museveni, do Uganda, à Cimeira cuja curta ordem de trabalhos tem a ver com uma breve informação sobre a segurança nas fronteiras entre Uganda, Rwanda e a RDC”, disse João Lourenço.

Importância do diálogo

Os Chefes de Estado destacaram a importância do "diálogo permanente, franco e aberto" que se deve desenvolver quer a nível bilateral entre os Estados da região quer no plano multilateral, para a consolidação da paz e segurança como premissas fundamentais para a integração económica.
No encontro, ficou decidido priorizar a resolução de qualquer diferendo entre os seus respectivos países por meios pacíficos, através de canais convencionais e no espírito de irmandade e solidariedade africanas.
No comunicado final, os Chefes de Estado expressam o apoio aos esforços do Governo da RDC em colaborar no processo de normalização da situação do surto do vírus do Ébola naquele país.
Durante a Cimeira, os quatro Chefes de Estado concederam uma atenção particular à evolução da situação endémica do Ébola vigente na RDC.

Normalização das relações Rwanda-Uganda

As relações entre o Uganda e o Rwanda mereceram a atenção dos Presidentes na Cimeira de ontem. Os líderes dos quatro países saudaram a vontade das partes em prosseguir o diálogo com vista a encontrar uma solução para os problemas existentes. Nesse sentido, a Cimeira indicou Angola para facilitar o processo de normalização das relações, com apoio da RDC.
Os quatro Chefes de Estado acordaram em continuar as suas consultas sobre questões de interesse comum. O Presidente da República do Uganda, Yoweri Museveni, Paul Kagame, do Rwanda, e Félix Tshisekedi, da RDC, expressaram “gratidão pelo acolhimento e hospitalidade às delegações” durante os trabalhos da Cimeira quadripartida.

Fraternidade e compreensão

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, o encontro de Luanda entre os Chefes de Estado decorreu num “clima de fraternidade e perfeita compreensão”.
Os Chefes de Estado decidiram continuar a dedicar atenção particular à criação de um ambiente propício para o fomento da cooperação entre os seus respectivos países em domínios de interesse comum, incluindo político e económico.
Os Chefes de Estado saudaram os resultados alcançados na XII Cimeira Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, realizada no dia 7 de Julho, em Niamey (Níger), dedicada exclusivamente ao lançamento da parte operacional da Zona de Comércio Livre Continental Africano, que abre novas perspectivas para a integração económica do continente.
Na ocasião, os Presidentes dos quatro países congratularam-se com o clima de paz reinante na sub-região, vector conducente à integração económica e ao desenvolvimento sustentável.

Tempo

Multimédia