Política

Angola e Alemanha reforçam cooperação

João Dias

Depois da África do Sul, a Chanceler alemã, Angela Merkel, cumpre, hoje, uma visita de trabalho de algumas horas a Angola, com o objectivo de aprofundar a cooperação entre os dois países e consolidar as relações empresariais.

Angela Merkel tem encontro com o Presidente João Lourenço
Fotografia: Santos Pedro | ediçoes novembro

Antes da missão em Angola, Angela Merkel passou pela África do Sul. Trata-se da se-gunda visita da Chanceler alemã a Angola. A primeira ocorreu em 2011, ocasião em que foi acordada uma parceria alargada entre os dois países.
Por seu turno, o Presidente João Lourenço visitou a Alemanha em Agosto de 2018, altura em que teve um encontro com a Chanceler alemã. Ambos voltaram a encontrar-se em Nova Iorque, em Setembro do ano passado, à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas.
Numa recente entrevista à DW, a propósito da visita de Angela Merkel a Angola, o Presidente João Lourenço considerou o investimento alemão bem-vindo ao país, na medida em que “as relações entre os dois países sempre foram boas”. O Chefe de Estado angolano espera que sejam assinados “importantes instrumentos de cooperação” durante a visita de Angela Merkel.
Ainda sobre o investimento estrangeiro em Angola, o Presidente da República garantiu que tem segurança e garantias de retorno. “Nós estamos a fazer a nossa parte, ou seja, a criar, dia após dia, a melhoria do ambiente de negócios em Angola”, sublinhou João Lourenço, apontando como uma das medidas o combate à corrupção. No âmbito da cooperação com a Alemanha, o Chefe de Estado angolano mostra-se interessado na aquisição de embarcações de guerra à Alemanha. “Continuamos interessados, desde que existam garantias de financiamento da parte da Alemanha, uma vez que a segurança marítima é importante para o país”, disse João Lourenço, lembrando que Angola se encontra no Golfo da Guiné, uma região que tem vindo a ser ameaçada pela pirataria marítima.

Um parceiro tradicional

A visita da chefe do Governo alemão a Angola representa mais um passo na consolidação das excelentes relações entre os dois países, sobretudo da cooperação económica, considerou, ontem, em Luanda, o ministro das Relações Exteriores.
Manuel Augusto afirmou que a Alemanha é um parceiro tradicional de Angola. O país, disse, conta com um conjunto de empresas alemãs, cujo impacto na economia é assinalável.
Numa altura em que estão identificados os sectores onde a Alemanha pode ser útil e existe uma cooperação bancária assinalável, o chefe da diplomacia angolana espera que, após as conversações oficiais e a assinatura de instrumentos jurídicos, a relação bilateral saia mais reforçada e com a reafirmação do engajamento das duas partes na execução de projectos concretos.
Tais projectos, sublinhou, incidem nas áreas de construção de infra-estruturas para a produção de energia eléctrica, indústria farmacêutica e no domínio da construção e gestão hospitalar. Manuel Augusto espera, ainda, que a primeira economia europeia faça agora, mais do que nunca, a transferência de tecnologias e crie facilidades de crédito capazes de viabilizar projectos de operadores económicos dos dois países. Para Manuel Augusto, as conversações de hoje são vitais para os projectos que o Executivo tem em carteira, principalmente na questão que tem a ver com a mobilidade urbana de Luanda. “Esperamos que a cooperação alemã permita encontrar algumas soluções para o tráfego em Luanda e aceder ao investimento para projectos na área das energias renováveis”, disse.

Angola dá exemplo na prevenção de conflitos

O ministro das Relações Exteriores referiu-se, igualmente, à Cimeira da União Africana (UA), que decorre sábado e domingo, em Addis Abeba, sob o lema “Silenciar das armas em África em 2020”.
Segundo Manuel Augusto, Angola vai transmitir o seu exemplo na prevenção de conflitos junto da União Africana. “O Presidente da República terá muito a dizer, já que Angola, por experiência própria, é uma autoridade moral na prevenção e resolução de conflitos. Sem estabilidade e paz, dificilmente se atinge o desenvolvimento. A cimeira vai discutir, profundamente, a questão. Temos consciência que não vamos silenciar todas as armas em 2020, mas é preciso mobilizar todo o mundo e os africanos, em primeiro lugar, para esta necessidade”, defendeu.
Durante a cimeira, disse, deverão ser abordados temas ligados à reforma institucional da União Africana, um processo iniciado há mais de três anos e que tem como líder o Presidente do Rwanda, Paul Kagame. No encontro dos líderes africanos, Kagame deve apresentar o relatório final do projecto de reforma geral, que visa tornar as estruturas da UA menos pesadas e menos burocráticas, mais funcionais e adaptadas aos desafios dos novos tempos.
Este ano, a cimeira deve debater, igualmente, a consolidação do processo que levará ao estabelecimento definitivo da Zona Livre de Comércio em África, que na óptica de Manuel Augusto é uma questão importante para o futuro do continente. “É um objectivo com muitos obstáculos para ser alcançado, mas a resultar, terá repercussão nas relações comerciais entre a África e o resto do mundo”, disse.

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