Política

“Angola é um país mais credível e transparente”, diz Embaixador da Argentina em Angola

Bernardino Manje

O embaixador cessante da Argentina em Angola, Luis Eugenio Bellando, considera que o país está mais credível e transparente, depois de o Presidente João Lourenço ter assumido o poder.

Embaixador Eugenio Bellando deixa hoje Luanda para assumir funções similares no Porto Rico
Fotografia: Edições Novembro

Em entrevista, ontem, ao Jornal de Angola, por ocasião do fim da missão de dois anos e meio no país, o diplomata argentino afirmou que, hoje, há “uma nova Angola”, caracterizada pelo combate à corrupção, melhoria da imagem por dentro e por fora, diversificação económica e abertura ao investimento estrangeiro.

“Cheguei a Angola em 2018, logo após o início da presidência de João Lourenço (...) Ninguém pode negar que, hoje, Angola está mais credível, mais transparente”, declarou Eugenio Bellando, que, ontem, teve um encontro de despedida com o ministro das Relações Exteriores, Téte António, e hoje deixa Luanda, com destino a Buenos Aires, onde deve tomar posse como embaixador no Porto Rico.

O embaixador argentino disse, ainda, que Angola atravessa uma nova fase da sua diplomacia, a económica, tendo destacado, igualmente, o empenho das autoridades angolanas a favor da consolidação da paz e segurança na região e no continente africano, no qual o país “desempenha um papel de liderança”.

Numa altura em que o mundo enfrenta a pandemia provocada pelo novo coronavírus, que já provocou milhares de mortes a nível global, Eugenio Bellando destacou as “medidas imeditadas” tomadas pelo Presidente João Lourenço na luta contra a propagação da Covid-19 em Angola.
Ao referir-se ao futuro do país, o diplomata não tem dúvidas quanto à previsão: “Angola tem o capital humano para converter-se numa potência”.

Balanço positivo
Luis Eugenio Bellando fez um balanço positivo da missão de dois anos e meio em Angola. e pediu que se faça uma analogia em relação à agricultura, para se ter uma ideia do que foi o seu trabalho: “realizamos um estudo dos solos, armamos, plantamos, colhemos alguns frutos e vislumbramos novos resultados”, disse.
A Argentina é dos mais importantes produtores e exportadores agrícolas do mundo. Para o embaixador, a presença, em Angola, de profissionais argentinos e respectivas máquinas, tractores e pulverizadores, é um exemplo dos frutos que se pretendem colher no país.
Eugenio Bellando referiu-se, igualmente, à instalação da multinacional argentina Arcor (especializada na produção de alimentos, chocolates, biscoitos, sorvetes, entre outras guloseimas, bem como embalagens), em associação com o grupo angolano Webcor (Angolissar). “Temos outro projecto que se alinha nesta política de diversificação produtiva seguida por Angola adiante, na qual a Argentina tem muito que oferecer, com seu know-how e experiência”, disse.
Bellando destacou, também, os novos investimentos da empresa argentina de produção de hidrocarbonetos Pluspetrol, na província de Cabinda.
Ao ser convidado para fazer uma avaliação da cooperação entre os dois países, o embaixador argentino em fim de missão considerou que se pode fazer mais, embora, sublinhou, a relação nunca tenha parado. “Sou exigente por natureza. Acho que temos muitas possibilidades de avançar. Aspiramos que (a cooperação) seja mais intensa”, disse.
Eugenio Bellando informou que o plano de cooperação planeado para este ano inclui, também, entre outros, a antropologia forense (promessa feita pelo embaixador a presidente da Comissão de Relações Exteriores da Assembleia Nacional, Josefina Pitra Diakité), cooperação entre o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) da Argentina e os institutos angolanos de Desenvolvimento Agrário (IDA) e de Investigação Agronómica (IIA), no campo agrícola e pecuário.

Cerca de 38 milhões de dólares em negócios

O volume de comércio bilateral entre Angola e a Argentina, no ano passado, foi de, aproximadamente, 38 milhões de dólares. No que se refere às exportações argentinas para Angola, houve, em 2019, um aumento de 2,47 por cento em relação a 2018 e 4,90 comparativamente a 2017, apesar da recessão de quatro anos enfrentada por Angola e a consequente queda das importações.

Embora os valores actuais sejam muito inferiores ao máximo registado em 2012, o embaixador da Argentina, Eugénio Bellando, sublinhou que, numa perspectiva histórica mais longa, deve notar-se que os negócios têm tido uma evolução positiva no que diz respeito à instalação de empresários do seu país num processo de integração produtiva além do comércio exterior.

“A integração produtiva entre ambas as economias tem potencial para contribuir no desenvolvimento das duas nações e acrescentar o processo de industrialização em substituição das importações”, concluiu. Em Fevereiro de 2018, após ter sido acreditado pelo Presidente João Lourenço, Luis Eugenio Bellando comprometeu-se a trabalhar com as autoridades angolanas em todos os assuntos constantes da agenda bilateral, com vista à obtenção de uma relação cada vez mais sólida.

Na ocasião, apontou o sector da Agricultura, no qual o seu país é uma potência, como área em que Angola pode contar com a experiência daquele país da América do Sul.

Falhou visita de Messi a Angola

Eugenio Bellando tinha como sonho, durante a missão, promover uma visita do astro argentino do futebol Leonel Messi a Angola. Outro desejo era aprender a dançar kizomba. Infelizmente, lamentou, estes desejos não foram concretizados. Além disso, a pandemia da Covid-19 também não permitiu a realização de diversos projectos culturais, que, tem a certeza, serão retomados, tais como a III edição do “Dia do Malbec” (prova do emblemático vinho argentino), o “II Festival de Cinema Argentino”, e o “I Festival de Dança de Tango”, entre outros.

Na hora da despedida, Eugenio Bellando agradeceu “a todos os angolanos”, a cordialidade, ajuda e orientação para o melhor desempenho do seu trabalho, realçando o facto de ter sido a primeira missão como embaixador, depois de outras funções em países, como a Índia, Brasil, Bolívia e Cuba.  Na imprensa, destacou o Jornal de Angola, que “sempre abriu as portas generosas para difundir notícias do meu país, que, sem dúvida, ajudou e ajuda a estreitar os vínculos entre os nossos países”. “Angola e seu generoso povo ocupam um espaço no meu coração”, concluiu.

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