Política

Angola mobiliza a SADC para recandidatura de Sacko

César Esteves

Angola vai aproveitar a 40ª Cimeira dos Chefes de Estados e de Governo da SADC, a ter lugar na próxima segunda-feira, por videoconferência, para solicitar o apoio dos líderes da região para a recandidatura de Josefa Sacko a comissária da União Africana para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável.

Autoridades angolanas defendem a renovação do mandato de Josefa Sacko na União Africana
Fotografia: DR

O desejo foi manifestado, ontem, em Luanda, pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, durante uma conferência de imprensa que serviu para fazer o lançamento da 40ª Cimeira Ordinária da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral).  À margem do encontro dos Chefes de Estado, disse, vai acontecer uma reunião dos ministros da SADC, para tratar da eleição da liderança da Comissão da União Africana.

Téte António adiantou que Angola vai continuar a defender a candidatura da embaixadora Sacko. Na Cimeira, cujo lema é “SADC - 40 anos, construindo a paz e segurança, promovendo o desenvolvimento e a resiliência, face aos desafios globais”, vão ser abordados, entre outros assuntos, a situação política e de segurança na região, o impacto da Covid-19 e as suas implicações para a região, situação financeira da organização, segurança alimentar regional e recrutamento do secretário executivo e adjunto da SADC.

Está, igualmente, prevista a assinatura de alguns instrumentos jurídicos e a aprovação, pelos líderes da região, do texto sobre a visão 2050 da SADC e o Plano Indicativo Estratégico de Desenvolvimento Regional 2020/2030. O chefe da diplomacia angolana deu a conhecer, na conferência de imprensa, que a cimeira, por videoconferência, será presidida pelo Chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, a partir de Maputo.

Reuniões preparatórias

A cimeira está a ser antecedida de várias reuniões preparatórias. Para hoje, está reservada a sessão do Conselho de Ministros das Relações Exteriores e Negócios Estrangeiros, durante a qual são finalizados os documentos a serem apreciados pelos Chefes de Estado e de Governo. Segundo o programa distribuído pelo Ministério das Relações Exteriores, está prevista, para amanhã, a Cimeira da Troika do Órgão.

O Presidente da República, João Lourenço, chefia a delegação angolana na Cimeira. A delegação é integrada pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, e outros membros do Executivo. A ordem de trabalhos da Cimeira estará, igualmente, centrada na entrega do distintivo de presidente em exercício da SADC ao futuro líder da organização e em assuntos institucionais, como a apresentação do relatório do presidente cessante do Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança.

A Troika do Órgão de Cooperação nas áreas de Política, Defesa e Segurança da SADC é constituída pelos Chefes de Estado Emmerson Mnangagwa, do Zimbabwe, Edgar Lungu, da Zâmbia, na qualidade de presidente cessante do Órgão e Mokgweetsi Masisi, do Botswana, futuro presidente do Órgão.
A actual Troika da SADC é formda pelos líderes da Tanzânia, John Magufuli (presidente), da Namíbia, Hage Geingob (presidente cessante) e de Moçambique, Filipe Nyusi (futuro presidente).

Operacionalização do lema da 39ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da SADC, a apresentação do lema da 40ª Cimeira, assim como a apreciação dos instrumentos jurídicos para a assinatura constam, igualmente, da lista dos pontos a discutir pelos Chefes de Estado e de Governo. Moçambique estará na organização das reuniões virtuais, na qualidade de país que vai assumir a presidência do bloco regional.

A Cimeira da SADC é responsável pela orientação geral de políticas e pelo acompanhamento das funções da Comunidade, tornando-a numa instituição suprema na tomada de decisões sobre políticas da organização. É constituída por todos os Chefes de Estado e de Governo e gerida com base num sistema de Troika.

Integram a SADC, criada em 1992, Angola, África do Sul, Botswana, RDC, Comores, eSwatini, Lesotho, Madagáscar, Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Seychelles, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.

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