Política

Angola reafirma empenho na integração económica na União Africana

Edna Dala

O Governo afirmou, ontem, em Luanda, o engajamento e contributo para o alcance dos objectivos estratégicos da União Africana, com destaque para a integração económica, reforma institucional, silenciar das armas e a implementação da Agenda 2063.

Fotografia: DR

O compromisso foi assumido pela secretária de Estado para as Relações Exteriores, Esmeralda da Silva Mendonça, que falava na abertura da palestra subordinada ao tema "Covid-19 impacto e resposta do Continente Africano".

Durante o encontro, que serviu para celebrar o Dia de África, assinalado ontem, a responsável do Mirex destacou que Angola, como país que sempre esteve empenhado na prevenção, gestão e resolução de conflitos no continente, reitera igualmente o compromisso de contribuir activamente na procura de soluções para mitigar o impacto do novo coronavírus no continente. 

Enquanto membro da União Africana, acrescentou, o país olha para África com uma esperança renovada no futuro de prosperidade e de justiça social e regozija-se com as realizações conseguidas pela organização ao longo dos 57 anos da sua existência.

No encontro, que reuniu embaixadores acreditados em Angola e diplomatas angolanos na União Africana e nas Nações Unidas em Genebra e académicos, a secretária de Estado sublinhou que o continente está perante um grande desafio em que a capacidade de resposta dos países "é posta à prova". "Porém, estamos convencidos que as lideranças africanas, num esforço solidário e unido, saberão dar a devida resposta ao surto do novo coronavírus".

Solução africana

Esmeralda da Silva Mendonça reforçou que o continente berço precisa de encontrar uma solução africana para combater a pandemia e relançar a sua dinâmica de desenvolvimento económico e social. Se não o fizer, sublinhou, corre o risco de mergulhar numa crise humanitária sem precedentes e agravar, ainda mais, problemas como conflitos regionais, pobreza, miséria e êxodo populacional que a União Africana tem tentado solucionar no âmbito da Agenda 2063.

Do ponto de vista político, segundo a secretária de Estado, a pandemia da Covid-19 pode minar os esforços que as lideranças africanas têm desenvolvido para a pacificação do continente, à medida em que condiciona a realização de rondas de negociações entre as partes em conflito. Com esta realidade, reforçou, alguns rebeldes podem aproveitar essa oportunidade para agravar o ambiente de conflito, sofrimento e miséria das populações afectadas e adiar o silenciar das armas em África.

No âmbito económico, referiu, o continente poderá enfrentar uma das maiores crises desde 2008, quando foi registado o maior aumento do desemprego e a desaceleração das economias, cujas consequências poderão ser o escalar da instabilidade social e política em muitos países. Esmeralda da Silva Mendonça disse que o desafio exigirá de todos uma readaptação a esta nova realidade.

Paradoxos

Ao intervir na cerimónia de encerramento, o ministro das Relações Exteriores, Téte António, destacou que África enfrenta um desafio com o novo coronavírus, que veio travar as oportunidades de crescimento que o continente estava a conhecer e demonstrar a capacidade de resiliência.
Téte António reconheceu, também, que África enfrenta deficiências que precisam ser corrigidas.

"O nosso maior problema é o paradoxo de um continente rico em matérias-primas, com cidadãos com um índice de pobreza muito elevado", lamentou.

Defendeu a sua correcção imediata, que deve passar pela diversificação da economia e industrialização.

Sucesso de África

A representante de Angola junto das Nações Unidas em Genebra, Margarida Izata, disse que os diplomatas africanos defendem uma acção concertada, focada e transparente para o sucesso na consolidação da cooperação entre África e a OMS.
A embaixadora falava sobre as perspectivas da OMS na resposta dos países africanos à Covid-19 por vídeo- conferência.

sublinhou que a acção concertada entre África e a OMS só se efectivará com a implementação da estratégia daquela organização para apoio especial aos países de renda média, menos desenvolvidos e aqueles que têm um número elevado de refugiados e deslocados internos.

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