Política

Angola concorre a membro do órgão de Paz e Segurança

Santos Vilola |

Angola concorre nos próximos dias, em Addis Abeba, a membro do Conselho de Paz e Segurança da União Africana durante a 29.ª Sessão Ordinária da Conferência de Chefes de Estado e de Governo da União Africana.

Ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, garantiu que uma equipa de avanço do ministério ultima os preparativos para a presença do país
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

A candidatura de Angola é apoiada pela Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Angola preside ao órgão de Defesa e Se­gurança da referida co­munidade regional.
O Presidente da República, João Lourenço, discursa pela primeira vez como Chefe do Estado  na cimeira da organização, desde que foi eleito a 23 de Agosto do ano passado.
O Conselho de Paz e Segurança da organização é um órgão permanente para a prevenção, gestão e resolução de conflitos. É um mecanismo principal da União Africana para a promoção da paz, segurança e estabilidade em África.
A diplomacia angolana concorre a membro do Conselho de Paz e Segurança, depois de ter visto eleita, no ano passado, ao posto de co­missária para Agricultura a diplomata Josefa Sacko.
Ao Jornal de Angola, em Julho do ano passado, o embaixador de Angola na Etiópia reconheceu que Angola tem uma participação, cada vez mais activa, nos processos de decisão da organização e dos seus órgãos, não só como Governo, mas também com os seus quadros na estrutura da União Africana.
“Fomos bem sucedidos na maior parte das eleições em que participámos. Os nossos candidatos foram eleitos, o que demonstra que estão altamente qualificados, estão à altura e que também é um reconhecimento do papel que Angola tem de­sempenhado ao nível do continente africano. Os países expressam o seu apoio e solidariedade relativamente a Angola, tendo em conta o pa­pel que tem jogado", afirmou o diplomata.
O diplomata disse que Angola tem responsabilidades a nível do continente e du­rante muito tempo não esteve em condições de assumir essas responsabilidades. "Angola é um país importante que não pode ser marginalizado a nível do continente. Tem uma contribuição importante a dar na resolução dos problemas continentais, com realce para o domínio da paz e segurança e em outros domínios", referiu o embaixador.
O embaixador reafirmou que o papel de Angola nas organizações em que é mem­bro activo tem sido, fundamentalmente, o de ajudar a construir soluções diplomáticas e negociadas para resolver os vários conflitos, "já que o nosso lema tem sido o de esgotar, primeiro, todos os meios pacíficos para a resolução dos problemas e só em última instância o recurso à força".
As eleições acontecem nas próximas semanas durante a 29.ª Sessão Ordinária da Conferência de Chefes de Estado e de Governo da União Africana.
O encontro de alto nível é dedicado este ano ao combate à corrupção no continente, um desafio assumido recentemente em Angola pelo Presidente João Lourenço.
Uma equipa de avanço do Ministério das Relações Exteriores já esteve na capital etíope para tratar dos preparativos da cimeira. O Mi­nistério das Relações Exteriores analisou o processo de preparação da Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo ou seus representantes da União Africana, durante uma reunião do conselho directivo da instituição orientada pelo ministro Manuel Augusto.

Preparação
Via videoconferência com o embaixador de Angola na União Africana, Arcanjo do Nascimento, os membros do conselho directivo do Ministério das Relações Exteriores inteiraram-se da preparação da 29.ª Sessão Ordinária da Conferência de Chefes de Estado e de Governo da União Africana.
Angola está entre os cinco maiores contribuintes da União Africana. Em Julho do ano passado, ao Jornal de Angola, o embaixador angolano na União Africana, Arcanjo do Nascimento, reconheceu que a contribuição dos Estado membros é um problema para o qual se está a tentar encontrar uma resposta.

                                 Presidente Paul Kagame assume o desafio de reformas
O Presidente do Ruanda, Paul Kagame, assume, du­rante a cimeira de Addis Abe­ba, a presidência rotativa da União Africana.
A 28.ª Sessão Ordinária da Conferência de Chefes de Estado e de Governo  da União Africana abordou o tema “Aproveitamento do dividendo demográfico, investindo na juventude”.
Na cimeira de Janeiro do ano passado, os Estados-membros escolheram Alpha Condé, da Guiné-Conacri, presidente da organização, no âmbito da rotatividade geográfica.
O evento contou com a presença do Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, e do Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud-Abbas.
O encontro foi marcado pela realização de eleições para a presidência e vice-presidência da União Africana, bem como para os postos de comissários da organização. O encontro analisou questões da actualidade africana, como a integração regional, o Plano Decenal no âmbito da implementação da Agenda 2063, a situação de Paz e Segurança no continente, situação no Médio Oriente, a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015, análise do Orçamento, Direitos Humanos, Reformas Estruturais e a Arquitectura de Governação Africana. Terrorismo, extremismo radical e a resposta de África a esses problema foi outro tema tratado na reunião.
As acções do grupo terrorista Al Shabaab, no Quénia, do Boko Haram, na Nigéria e países do Lago, do Chade e do Estado Islâmico na Líbia foram vistos como uma grande e séria ameaça à estabilidade do continente, por isso a União Africana mobiliza esforços para afastar o perigo do terrorismo no continente.

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