Política

Angola e Madagáscar reforçam cooperação

Cândido Bessa |

O Presidente da República, João Lourenço, e o seu homólogo do Madagáscar, Hery Rajaonarimampianina, acertaram, ontem, em Luanda, ideias sobre a situação na região e  em relação aos desafios políticos em cada um dois Estados, numa altura em que aquele país, igualmente, membro da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), prepara-se para realizar eleições gerais, que decorrem no próximo ano.

Encontro no Palácio da Cidade Alta entre os os Presidentes João Lourenço e Hery Rajaonarimampianina
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Eleito em 2013, depois de uma alteração constitucional para um regime semi-parlamentar,  Hery Rajaonarimampianina chegou a ser destituído em 2015, por uma maioria na Assembleia Nacional malgaxe. Mas a pressão da SADC e de alguns países desenvolvidos, entre os quais os Estados Unidos, levou à reposição da ordem constitucional.
A eleição de Hery Rajaonarimampianina representou, na altura, o primeiro passo para o fim da crise política, provocada pelo golpe que derrubou, em 2009, o Presidente Marc Ravalomanana e colocou, no seu lugar, Andry Rajoelina, que governou o país durante quatro anos.
Hery Rajaonarimampianina, que realizou uma visita de trabalho de 24 horas a Angola, discutiu, igualmente, com o Chefe de Estado angolano, no Palácio Presidencial da Cidade Alta, o reforço da cooperação entre os dois países, no quadro das concertações regulares.
O Director para África e Médio Oriente (DAMO) do Ministério das Relações Exteriores, Joaquim do Espírito Santos, garantiu que as relações entre os dois países são excelentes e há consultas regulares, ao nível da SADC e da União Africana, e que ambos os estados  podem edificar um quadro que permita o reforço das relações.
Angola ocupa a presidência do órgão para Cooperação Política, Defesa e Segurança da SADC e tem responsabilidades na busca da estabilidade na região. 

Diversificação económica

O Joaquim do Espírito Santo indicou que Angola pode aproveitar alguma experiência acumulada pelo Madagáscar, principalmente, na agricultura, nesta fase de diversificação da economia nacional.
O mais alto responsável da DAMO lembrou que o Madagáscar tem experiência, principalmente,  no cultivo do arroz e na criação de gado.
\"Podemos criar condições para um intercâmbio de maior interacção, que permite reforçar as relações no capítulo económico\", disse o diplomata. Acrescentou que os países que têm capacidade e experiência na área agrícola \"são bem vindos, no quadro da parceria que Angola procura estabelecer, sobretudo, em África\".
No ano passado, por exemplo, o Madagáscar assinou, com o Marrocos, vários acordos de cooperação, no quadro do reforço da cooperação Sul-Sul, principalmente, nas áreas da agricultura, banca, função Pública, juventude e desportos, impostos, energias renováveis e formação profissional.
Além da indústria mineira, que é importante para a economia, o Madagáscar quer aproveitar, igualmente, o potencial em sectores como o turismo ou o ambiente. Com um ecossistema quase único, produtos, fauna e flora exclusivas, o Madagáscar aprendeu a lição com a quebra no preço das matérias-primas e está agora a direccionar investidores no turismo ecológico, assente também no desenvolvimento ambiental.

Cooperação na SADC

Os dois países cooperam no plano de acção de industrialização da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), com foco no desenvolvimento de cadeias regionais de valor. Recentemente, especialistas em representação dos países membros da comunidade analisaram, em Luanda, os vínculos entre uma cadeia de valor nacional, de uma regional, para determinar os custos nacionais indicativos de coordenação do sector público.
Os consultores discutiram  as melhores estratégias e o roteiro sobre a industrialização da comunidade no período entre 2015 a 2063.
A industrialização angolana como uma das vias mais seguras para alcançar o desenvolvimento, com base na transformação de produtos e a criação de uma real cadeia de empregos e riqueza, capazes de fortalecer a economia e divisas, que devem facilitar as trocas comerciais inter-regionais e internacionais.
O alcance de grandes metas no Plano de Desenvolvimento Especial Indicativo Regional, requer o processamento dos recursos naturais na região, tendo como primado a implementação da Zona de Comércio Livre da SADC, a proclamação da União Aduaneira, a criação do Mercado Comum, a proclamação da União Monetária e a integração monetária plena entre os estados-membros.
Angola continua a apoiar a institucionalização do fundo de desenvolvimento regional, mobilização financeira com o Banco Africano de desenvolvimento para financiar projectos e programas.
Nos 25 anos da sua existência, a acção da SADC é considerada globalmente positiva, nomeadamente nas áreas do desenvolvimento de infra-estruturas e na promoção de uma identidade regional, apesar de enfrentar significativas dificuldades.
A SADC apresenta agora novos objectivos, orientados para a globalização, caracterizada por uma dinâmica de constantes transformações a nível político e económico. Entre as metas estratégicas, consta a reabilitação das infra-estruturas, a liberalização do comércio, a segurança alimentar, o desenvolvimento humano e social, paralelo ao crescimento. A SADC foi criada a 17 de Agosto de 1992 em Windhoek, capital da Namíbia. Originalmente designada SADCC, foi fundada em 1980 por apenas nove dos actuais 16 Estados-membros: Angola, Botswana, Lesoto, Malawi, Moçambique, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.

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