Política

Angola e Polónia estudam supressão de vistos

Garrido Fragoso

Os governos de Angola e da Polónia estudam a possibilidade da supressão de vistos em passaportes diplomáti-cos e de serviço, um instru-mento jurídico que vai facilitar a livre circulação de pessoas e os negócios entre os dois Estados.

Marek Magierowski e Téte António abordaram questões relacionadas com a cooperação económica e a política ambiental
Fotografia: Pedro Parente | Angop

O anúncio foi feito ontem à imprensa, em Luanda, pelo secretário de Estado do Mi-nistério das Relações Exteriores, Téte António, no final do encontro com o secretá-rio de Estado polaco para África e Médio Oriente, Ma-rek Magierowski.
Téte António admitiu que o referido instrumento ju-rídico deverá ser rubricado pelos dois países ainda no decurso deste ano. “O nosso país está com uma certa velocidade neste domínio, portanto poderemos ter ainda este ano este acordo assinado”, garantiu.
“Com a Polónia queremos melhorar a cooperação, partindo para acções mais concretas e domínios que façam com que os instrumentos ju-rídicos já assinados tenham maior impacto, caso do Me-morando de Entendimento entre os dois Estados”, afirmou o secretário de Estado do Mirex, confirmando estar no bom caminho a cooperação com aquele país da Europa central.
O papel da Polónia na presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com vista a solução dos conflitos prevalecentes em alguns países do continente africano, foi realçado ontem à impren-sa, pelo secretário de Estado polaco, no final  do encontro com o homólogo angolano.
A Polónia foi eleita membro do Conselho de Segurança da ONU pela sexta vez. A eleição demonstra o reconhecimento e contribuição daquele país na preservação da paz e segurança internacionais.
Marek Magierowski disse ter abordado com o homólogo angolano questões relacionadas com a cooperação económica e a política am-biental, atendendo ao facto da Polónia possuir “vasta experiência” na indústria do carvão. O dirigente polaco falou da presença de várias empresas polacas no país, tendo, por isso, convidado os empresários angolanos para investirem no seu país nos mais variados sectores.
O secretário de Estado da Polónia garantiu que o actual Governo do seu país quer estabelecer várias parcerias económicas com Angola, para aumentar as trocas comerciais bilaterais, que no ano passado saldaram-se em 40 milhões de dólares, número que considerou “bastante irrisório”, atendendo as potencialidades económicas dos dois Estados.  

Ministro de Estado
Os principais elementos que devem ser observados para tornar a diplomacia económica do país mais eficiente e focada na captação do investimento estrangeiro foram transmitidos ontem, em Luan-da, aos embaixadores angolanos acreditados em diversos países pelo ministro de Estado para o Desenvolvimento Económico e Social.
“Os embaixadores conhecem as circunstâncias económicas dos países onde trabalham. Podem, por isso, trazer para Angola os investimentos necessários para tornar a economia cada vez menos dependente do petróleo”, afirmou Manuel Nunes Júnior, na palestra sobre “Di-plomacia económica”, inserida no programa de trabalhos da reunião dos embaixadores, que decorre até amanhã, na sede do Ministério das Relações Exteriores.
O ministro de Estado defendeu para o país uma economia cada vez menos vulnerável a choques externos. Para isso, acrescentou, é necessário mais investimento no domínio da produção alimentar, para que o país seja auto-suficiente na produção de alimentos nos próximos anos.
Manuel Nunes Júnior en-tende que com parceiros internacionais, que possam de forma rápida ajudar o país na produção de alimentos que importamos, isso permitirá que as divisas usadas para importar os mesmos (alimentos) sejam canalizadas noutras áreas estratégicas de desenvolvimento, como educação e formação de quadros.
O ministro de Estado indicou, contudo, que com a aprovação recente, pela Assembleia Nacional, das Leis da Concorrência, do Investimento Privado e Repatriamento de Capitais, o ambiente de negócios no país vai melhorar. Segundo Manuel Nu-nes Júnior, as medidas que estão a ser tomadas no quadro do combate à corrupção e à impunidade também vão tornar o país mais atractivo do ponto de vista do investimento estrangeiro.
Os diplomatas também receberam ontem subsídios sobre a imigração ilegal e a estratégia da política externa do país. O embaixador de Angola na Inglaterra, Rui Mangueira, considerou a política externa “ampla e com objectivos bastante concretos.” Rui Mangueira lembrou que a mesma prioriza os parceiros do continente africano e organizações regionais, caso da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC).
A política externa angolana, explicou, também está direccionada para as grandes questões da defesa da paz, cooperação bilateral e multilateral com vários Estados do Globo, incluindo a diplomacia económica.
Rui Mangueira indicou que, com o ajustamento das instituições e melhoria da legislação sobre o investimento, Angola poderá implementar a sua estratégia de inserção no mercado livre africano e potenciar a sua economia.
“As bases da política exter-na do país estão lançadas e são perfeitamente exequíveis”, garantiu o embaixa-dor, recordando que Angola sempre liderou as “grandes questões” de paz e segurança, não só a nível da região, como do continente.
A reunião dos embaixadores encerra amanhã os trabalhos com a apresentação das conclusões e recomendações finais e um discurso a ser proferido pelo ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto.

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