Política

Angola é prioridade para diplomacia francesa

Garrido Fragoso

A França acompanha o processo de transição política em Angola com bastante interesse  e optimismo. O embaixador francês em Angola, Jean-Claude Moyret, disse que o seu país acompanha com  entusiasmo “as mudanças políticas e económicas que estão a ser operadas em Angola”.

 

Jea-Claude Moyret realça relações entre Angola e França
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Jean-Claude Moyret  acrescentou que o Presidente francês, Emmanuel Macron, já definiu Angola como um dos principais parceiros estratégicos da França para os próximos anos, em vários sectores.  
Em declarações ao Jornal de Angola, durante uma exposição de culinária francesa, num restaurante de Luanda,   o embaixador  falou da preparação e importância da visita oficial do Chefe do Estado angolano, João Lourenço, à França, em finais do próximo mês, sublinhando que a visita vai fortalecer ainda mais a  cooperação bilateral.
Jean-Claude Moyret lembrou o longo período de colonização, guerra civil e de consolidação de paz em Angola, tendo elogiado a determinação do Presidente João Lourenço, pelas mudanças e abertura que está a operar no país.
O diplomata francês disse que a cooperação nos sectores económico e po-lítico está a “renascer e a fortalecer-se”.
No domínio político,   lembrou que a cooperação estreitou-se ainda mais com a visita a Angola, no início deste mês, do ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, durante a qual foram assinados três instrumentos jurídicos, concretamente, os acordos na área da Agricultura, relativo aos serviços aéreos e o protocolo de Entendimento entre o Ministério da Hotelaria e Turismo de Angola e o Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros da França. “A cooperação cultural também é fundamental para a Fran-ça”, disse o diplomata, recordando que o seu país  apoiou a candidatura de Mbanza Congo a património mundial.
Em relação às trocas comerciais, o diplomata disse que registaram uma certa redução, apesar de  não ter avançado números. Salientou que em 2016 o volume de negócios foi um pouco mais equilibrado. “O mais importante é que existem muitas empresas francesas interessadas em investir em Angola”, afirmou.
A ampliação das relações económicas bilaterais, segundo o diplomata, passam por maiores investimentos franceses em Angola e por uma nova visão das autoridades dos dois países em relação a cooperação económica que deve existir entre Angola e a Europa, particularmente, com a França.
Angola vende produtos petrolíferos à França e im-porta daquele país europeu produtos manufacturados, indicou o em-baixador  francês.
Jean-Claude Moyret manifestou-se triste pelo facto de muitos produtos franceses, sobretudo alimentares e agro-industriais, entrarem em Angola a partir de Portugal e não se-rem contabilizados como produtos importados da França. “Temos de analisar e melhorar esta situação”, disse.
As relações diplomáti-cas entre Angola e a Fran-ça estabeleceram-se em Fevereiro de 1976, depois de os franceses reconheceram a Independência de Angola, mas apenas em 1982 foram criadas as bases para o reforço da cooperação bilateral, com a assinatura do Acordo Geral de Cooperação.
Os anos de 2014 e 2015 marcam uma nova era no desenvolvimento das relações entre os dois Estados, após as visitas recíprocas dos antigos Chefes de Es-tado José Eduardo dos Santos e François Hollande.
A cooperação desenvolve-se nas áreas da saúde, águas, saneamento básico, ensino superior, formação de quadros, ciência e tecnologia. No domínio empresarial, destaca-se o sector dos petróleos, transportes, comércio e indústria.

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