Política

Angola e RDC preparam a abertura da fronteira

António Capitão | Uíge

Delegações de Angola e da República Democrática do Congo avaliaram terça-feira, na cidade do Uíge, os me-canismos para a abertura, nos próximos tempos, do posto fronteiriço de Kim-bata, no município de Maquela do Zombo.

Delegações de Angola e da RDC estiveram reunidas pela quarta vez na cidade do Uíge
Fotografia: Mavitide Mulaza | Edições Novembro| Uíge

O encontro, que teve a participação de responsáveis de órgãos ligados à gestão administrativa e tributária contra a fraude, foi orientado pelo governador do Uíge, Pinda Simão, que considerou o mesmo “bastante importante” para o reforço da cooperação, em vários domínios, entre os governos de Angola e da RDC.
Para Pinda Simão, a abertura do posto fronteiriço de Kimbata, além do impacto nas relações políticas entre as duas nações, vai trazer valor acrescentado para as duas economias, por meio da criação de mais postos de trabalho e rendimentos para as famílias.
Além de enumerar as várias vantagens dos entendimentos que já decorrem há algum tempo com as autoridades da RDC para a abertura do posto fronteiriço, Pinda Simão alertou para a necessidade de serem acauteladas medidas de prevenção e de combate à imigração ilegal, crimes transfronteiriços e terrorismo.
“A delegação congolesa vem discutir sobre um assunto importante para as duas na-ções e os seus povos no domínio da cooperação bilateral quanto à partilha e aproveitamento económico da nossa fronteira comum. Ainda assim, são necessárias acções conjuntas entre os órgãos policiais e os que regulam a migração para uma maior ordem e tranquilidade nesta zona para a criação de um clima de paz, estabilidade, emprego e rendimento para os dois povos e combater crimes transfronteiriços”, disse.
O director da Brigada contra a Fraude da Administração Geral Tributária (AGT), Aníbal Vuma, disse que o acordo a ser celebrado com a delegação congolesa consiste na assistência mútua entre os órgãos anti-fraude das administrações tributárias para a elaboração de políticas e criação de infra-estruturas para a abertura da fronteira de Kimbata.  “Para este processo, já decorreram, antes, três encontros, o primeiro na RDC, o segundo no Uíge, outro em Luanda e, agora pela quarta vez, novamente no Uíge, tudo para a abertura do posto fronteiriço de Kimbata, tendo em conta a sua posição estratégica para os dois países”, salientou.
Pierreth Bombo, representante dos serviços  anti-fraude da Administração Tributária da República De-mocrática do Congo, reconheceu que a parte angolana está mais avançada em relação à criação de infra-estruturas adequadas para o funcionamento eficaz das fronteiras de Kimbata, em Maque-la do Zombo (Angola), e Kimpangu, na província do Congo Central (RDC).
“É necessário que existam boas infra-estruturas para o normal funcionamento dos postos fronteiriços. Reconhecemos que neste aspecto Angola está bastante avançada, tendo em conta que as nossas ainda são improvisadas. Da visita que vamos efectuar nas duas fronteiras, vamos poder relatar ao nosso governo para podermos adequar os nossos edifícios de acordo com os padrões internacionais, bem como as estradas”, frisou.
Pierreth Bombo acrescentou que vai fazer chegar aos responsáveis ministeriais do país as preocupações do Governo angolano, manifestadas pelo governador Pinda Simão, quanto à imigração ilegal, os crimes transfronteiriços e o terrorismo.
Há vários anos que os go-vernos de Angola e da RDC trabalham na criação de condições para a reabertura do posto fronteiriço de Kimbata, encerrado há quase 20 anos, devido ao  conflito armado.

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