Política

Angola e Zimbabwe relançam cooperação

Cândido Bessa e Edna Dala |

As eleições no Zimbabwe ocorrem na primeira metade do próximo ano e está já em curso o processo de introdução dos dados biométricos para o registo dos eleitores.

Ministro dos Negócios Estrangeiros entregou a mensagem ao Presidente da República, João Lourenço
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

A garantia foi dada ontem, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Zimbabwe, Subusiso Moyo, ao Presidente da República, João Lourenço, que lidera também o Comité de Cooperação para a Política, Defesa e Segurança da SADC.
Acompanhado do seu homólogo angolano, Manuel Augusto, o ministro dos Negócios Estrangeiros zimbabweano entregou ontem, no Palácio Presidencial da Cidade Alta, ao Chefe de Estado angolano, uma mensagem do Presidente Emmerson Mnangangwa.
Um dos 16 Estados membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), cujo Comité de Cooperação para a Política, Defesa e Segurança é presidido por Angola, o Zimbabwe está a tentar recuperar da instabilidade política que o país viveu desde 3 de Novembro e que culminou com a renúncia do Presidente Robert Mugabe, após 37 anos no poder, e a eleição de Emmerson Mnangangwa, seu antigo vice-presidente, que entretanto expulsou, dando início à instabilidade política.
Emmerson Mnangangwa tomou posse no dia 24 de Novembro, como Presidente do Zimbabwe, para o período de transição e, na semana passada, foi confirmado líder da Zanu-PF e nomeado candidato do partido às próximas eleições.
Na altura da crise política, o Chefe de Estado angolano, João Lourenço, na qualidade de responsável do órgão para a Cooperação Política, Defesa e Segurança da SADC, convocou uma reunião para encontrar soluções para a situação no Zimbabwe. O encontro juntou, em Luanda, o Presidente sul-africano, Jacob Zuma, líder em exercício da SADC, e o chefe de Estado da Zâmbia, Edgar Lungu.
Antes da audiência que lhe foi concedida, ontem, pelo Presidente João Lourenço, Subusiso Moyo informou ao chefe da diplomacia angolana, Manuel Augusto, sobre os passos que estão a ser dados para a reposição da normalidade constitucional naquele país, desde o afastamento de Robert Mugabe. O chefe da diplomacia angolana considerou excelentes as relações entre os dois países, quer no âmbito bilateral, quer regional. Manuel Augusto afirmou que, a nível da SADC, houve sempre um esforço dos estados membros na procura de soluções para a situação no Zimbabwe e lembrou a cimeira, realizada no princípio do mês passado, que analisou ao detalhe a situação política de Zimbabwe. Entretanto, o Zimbabwe quer elevar a cooperação económica com Angola para igual patamar das relações políticas, que “são excelentes”, de acordo com o ministro Subisiso Moyo. Os dois países têm cooperação nos sectores da agricultura, turismo, transportes e formação de quadros.
 
Fim da operação militar
Por outro lado, os Serviços de defesa e segurança do Zimbabwe anunciaram o fim da “Operação Restaurar a Legalidade”, que culminou com a renúncia do Presidente Robert Mugabe. O comandante do Exércio Nacional do Zimbabwe, general Philip Valerio Simbanda, citado pela Agência Pana Press, declarou que a operação atingiu o seu objectivo de “deter os criminosos na entourage do antigo Presidente” e que uma nova guarda está instalada no país. Philip Simbanda convidou os zimbabweanos a ficarem unidos e pacíficos, enquanto o país prepara as eleições do próximo ano.
O Exército tomou o controlo do país no dia 15 de Novembro, depois de instalar veículos blindados na capital, Harare. A Acção levou à renúncia de Robert Mugabe, por carta dirigida ao Parlamento, no dia 21 de Novembro, depois de 37 anos no poder. Três dias depois, Emmerson Mnangangwa tomou posse, prometendo “trabalhar rapidamente”, sublinhando que o país precisa de todas as energias para ter êxito.
Para o seu primeiro Governo para liderar o país e preparar as eleições de 2018, Emmerson Mnangagwa fugiu aquilo que se pensava pudesse ser o seu “padrão normal”. Ao escolher para os cargos mais importantes antigos militares, o Presidente do Zimbabwe fugiu um pouco àquilo que se esperava que fosse o figurino a seguir, até para corporizar as promessas que haviam sido feitas de empenho na recuperação económica e de relançamento da agricultura.
Em vez de técnicos, Emmerson Mnangagwa optou por escolher homens da sua estreita confiança, na sua maioria antigos militares conotados com actos relacionados com aquilo que foi a governação de Robert Mugabe, cujo “fantasma” teima em prevalecer na política zimbabweana.

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