Política

Antigos combatentes fazem prova de vida

Carlos Paulino| Menongue

Mais de 600 pensionistas, dos 1.300 controlados pela Delegação Provincial da Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas (FAA) no Cuando Cubango, já efectuaram a prova de vida, informou ontem, na cidade de Menongue, o responsável da instituição.

Processo de confirmação está a servir para eliminar da base de dados falsos pensionistas
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro | Menongue


Em declarações ao Jornal de Angola, Ayres Manuel “Ché” disse que dos pensionistas cadastrados desde finais de Janeiro último constam cidadãos com patentes de brigadeiro, coronéis, tenentes-coronéis, majores, capitães, viúvas e órfãos.
Ayres Manuel “Ché” explicou que dos 1.300 pensionis-tas controlados pela institui-
ção muitos realizaram a prova de vida noutras regiões do país, sobretudo, em Luanda, em 2016, pelo que será possível confirmar o respectivo número tão logo termine o processo de registo na província, previsto para a próxima semana.
“A prova de vida está a ser orientada por 29 técnicos e já permitiu detectar alguns pensionistas fantasmas”, disse Ayres Manuel “Ché”, que destacou que no novo sistema de registo online não é possível haver associados fantasmas, tendo em vista que na base de dados aparece o nome, NIP, Ordem de Serviço, patente, número do Bilhete de Identidade e de contribuinte.
“Não é possível inscrever pensionistas falsos”, assegurou o responsável.
Na Caixa de Segurança Social das FAA só são inscritos os cidadãos que na verdade participaram na luta de libertação nacional em 1961 até à conquista da paz efectiva no país, em 2002, indicou o brigadeiro das FAA, acrescentando que todos os pensionistas que não efectuaram a prova de vida vão ser desactivados do sistema de pensão da Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas.
Ayres Manuel “Ché” sublinhou que a Delegação Provincial da Caixa de Segurança Social das FAA recebeu, em 2014, orientações do Ministério da Defesa para suspender o registo e inscrição de novos pensionistas, enquanto durar a prova de vida em curso.
Ayres Manuel “Ché” apontou a oscilação constante do serviço de Internet como a principal dificuldade que a equipa técnica enfrenta, salientando que a instituição atende apenas  30 ou 50 pensionistas diariamente, dos 140 previstos para a realização da prova de vida.
“A situação fez com que o processo de prova de vida, que devia terminar no dia 9 de Fevereiro na província do Cuando Cubango, fosse prorrogado até a próxima semana. Encontramos muitas dificuldades porque falta constantemente a Internet, e as placas da Unitel não nos permitem realizar um trabalho adequado”, afirmou.
Ayres Manuel “Ché” in-formou que 313 processos para a inscrição de novos pensionistas encontram-se pendentes na Delegação Provincial da Caixa de Segurança Social das Forças Armadas Angolanas, situação que só será possível resolver após a  realização da prova de vida a nível do país.
Ayres Manuel “Ché” la-mentou o facto de o Cuando Cubango ser das províncias com um número “bastante reduzido” de ex-combatentes inscritos na Caixa de Segurança Social das FAA, apesar de ser das regiões que mais sofreu com o conflito armado.
Caso seja feito um levantamento de todos os cidadãos que participaram na luta de libertação nacional até à conquista da paz, o número de associados na província pode atingir mais de 15 mil, uma vez que muitos ex-combatentes vivem nos municípios do interior e devido à falta de recursos financeiros e a distância não conseguem deslocar-se até Luanda para fa-
zerem a confirmação junto da direcção nacional.
Ayres Manuel “Ché” de-fendeu, por isso, a descentralização do processo de inscrição dos antigos combatentes.

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