Política

Batalha do Cuito Cuanavale foi tema de conferência na Rússia

Uma conferência internacional sobre a importância histórica da célebre Batalha do Cuito Cuanavale foi realizada em Moscovo, na Rússia.

Vitória na Batalha do Cuito Cuanavale está eternizada com a construção de um memorial
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro

De acordo com a Angop, que cita um comunicado do Ministério dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Angola esteve representada na conferência com uma delegação chefiada pelo ministro João Ernesto dos Santos “Liberdade”. A delegação foi integrada pelos generais na reserva e deputados Julião Mateus Paulo “Dino Matross” e Roberto Leal Monteiro “Ngongo”.
O encontro, além de estreitar as relações de cooperação entre a Federação Russa dos Antigos Combatentes e o Ministério angolano dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, serviu, também, para destacar a importância da batalha na História dos povos africanos, em particular, e do mundo, em geral.
Participaram na conferência delegações de Cuba, da SWAPO, do ANC, dos Veteranos das Forças Armadas da República Sul-Africana (ex-SADF), bem como do país anfitrião, lê-se no comunicado do Ministério dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria de Angola.

Importância da batalha
O Governo sul-africano apoia, incondicionalmente, a proposta de Angola para que o dia 23 de Março de 1988 seja considerado feriado nacional em todos os países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), para assinalar a célebre Batalha do Cuito Cuanavale.
Esta posição foi reforçada na semana finda pelo ministro sul-africano das Artes e Cultura, Nkosinathi Emanuel Mthethwa, no final de uma visita de algumas horas ao Memorial à vitória da Batalha do Cuito Cuanavale, naquele município do Cuando Cubango.
Nkosinathi Emanuel Mthethwa lembrou que o regime de apartheid que vigorava no seu país tinha uma política de segregação e de expansão, com a qual os seus mentores intimidavam e aterrorizavam vários países de África, sobretudo os situados mais a sul do continente. “Esta máquina   assassina teve um final trágico, graças à Batalha do Cuito Cuanavale”, disse o ministro sul-africano, referindo-se à derrota do então regime do apartheid.
Nkosinathi Mthethwa afirmou que o regime do apartheid sofreu uma pesada baixa, pois não conseguiu atingir os seus intentos de ocupar o Cuito Cuanavale. Além disso, acrescentou, pagou um preço muito caro  porque teve de ceder à independência da Namíbia, à libertação de Nelson Mandela e à abolição da política de segregação racial na África do Sul, com a qual humilhavam a maioria negra.
O dirigente sul-africano disse que todos os países da SADC se revêem na Batalha do Cuito Cuanavale, porque não libertou somente os sul-africanos, angolanos e namibianos, mas  os povos de toda a região. “Sem a vitória na Batalha do Cuito Cuanavale não seria possível atingir-se os níveis de desenvolvimento que estamos a alcançar actualmente”, considerou Nkosinathi Mthethwa, que disse ter proposto aos ministros da Cultura da SADC  que esta data possa ser celebrada em toda a região.
A proposta, da iniciativa de Angola, já tinha sido apresentada na reunião do Conselho de Ministros da Cultura da SADC, realizada em Março de 2016, em Gaberone, Botswana. Angola pretende que o 23 de Março seja celebrado como Dia de Libertação da África Austral.
O ministro sul-africano disse estar, igualmente, em curso a identificação de sítios históricos que contribuíram para a libertação dos povos do sul de África. O levantamento, disse, vai ser feito a partir da Cidade do Cabo (África do Sul) e  estende-se até ao Cairo (Egipto). A decisão saiu da última reunião dos ministros da Cultura da SADC, realizada recentemente na África do Sul.
“O Cuito Cuanavale é, sem dúvidas, um sério candidato a património da Humanidade, tendo em atenção a sua dimensão histórica no contexto internacional”, considerou Nkosinathi Mthethwa, que disse ser necessário valorizar todos os indivíduos que pagaram com a sua vida a libertação da África Austral.
Para o dirigente sul-africano, o Governo angolano honrou todos os que lutaram na Batalha do Cuito Cuanavale, com a construção do Memorial à Vitória. Nkosinathi Emanuel Mthethwa afirmou que a sua visita a Angola, concretamente ao município histórico do Cuito Cuanavale, vai permitir o estreitamento das relações culturais entre Angola e a África do Sul.

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