Política

Batalha do Cuito Cuanavale faz hoje 30 anos

Lourenço Manuel | Menongue

Comemora-se hoje o trigésimo aniversário desde que as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) impuseram uma pesada derrota ao exército do regime do apartheid da África do Sul, na sua vã tentativa de tomar pela força das armas a sede do município do Cuito Cuanavale.

Peças do material bélico que foi utilizado na batalha estão expostas na localidade
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro | Menongue

No local, os preparativos com vista a uma homenagem merecida aos heróis das FAPLA que travaram o avanço das forças sul-africanas, continuam em bom ritmo, assistindo-se, actualmente, a um vai e vem frenético de delegações das Forças Armadas Angolanas (FAA) e do governo da província que trabalham ao pormenor e em sincronia para uma celebração condigna do evento. 
Ruas engalanadas com as cores da bandeira da República de Angola, lancis pintados a preto e branco, campanhas de limpeza e de embelezamento em todos os cantos da vila do Cuito Cuanavale e a construção da tribuna VIP, atarefam homens e máquinas entre militares e civis, para uma recepção calorosa das delegações visitantes.
Pela primeira vez, figuram entre os convidados ao Cuito Cuanavale, uma delegação de aproximadamente 180 ex-militares do Exército sul-africano que durante a invasão integravam distintas unidades das RASD (designação do exército sul africano), bem como académicos, investigadores, cientistas, membros da sociedade civil, autoridades eclesiásticas, entre outras entidades. Também são esperadas delegações de Cuba, Botswana, Namíbia, Zâmbia, Zimbabwe, da Rússia e dos Estados Unidos da América que no terreno vão procurar partilhar e trocar experiências dos combates ali ocorridos entre 15 de Novembro de 1987 a 23 de Março de 1988.
Neste período, várias unidades do Batalhão Búfalo e do regimento presidencial sul-africano, auxiliados por milhares de guerrilheiros da UNITA mantinham um apertado cerco sobre a vila do Cui-to Cuanavale, que pretendiam tomar pela força das armas e, a partir dali,  criar um corredor até Luanda para colocar Jonas Savimbi na presidên-cia de Angola. 
Transformada num autêntico inferno a vila do Cuíto Cuanavale, as áreas residenciais e as posições das FAPLA eram fustigadas intensamente com artilharia de longo alcance do tipo G-5 e G-6, bem como, aviões teleguiados carregados com toneladas de explosivos. />As forças sul-africanas tinham também a seu favor um Centro de Correcção de Fogo (CCF) equipado com tecnologia de ponta, a partir do qual podiam monitorar facilmente, com ajuda do satélite, toda a movimentação da população e das unidades das tropas governamentais, mas as FAPLA determinadas que estavam respondiam como podiam. A supremacia das FAPLA residia na artilharia anti-aérea onde se destacavam os lança foguetes inteligentes Osaka e CD-10, o lança foguetes múltiplos BM-21, os canhões de artilharia terrestre C-130 milímetros, o D-30 mm, bem co-
mo, os caças-bombardeiros do tipo Sukoy-22, Mig-23 e 25 com os quais aplicava golpes demolidores aos invasores.   
Fugindo ao confronto di-recto com as FAPLA, as tropas do regime do apartheid colocavam na frente os guerrilheiros da UNITA que ser-
viam de carne para canhão e que tinham também como missão espinhosa recolher de qualquer jeito os cadáveres de soldados sul-africanos  tombados no teatro das operações combativas.
Três dias antes do combate final do dia 23 de Março de 1988, as FAPLA receberam  o reforço de uma bateria de artilharia da brigada 70 das forças revolucionárias de Cuba estacionada em Menongue, que auxiliou as forças governamentais na derrota dos invasores que deixaram no terreno tanques de guerra Oliphant (Olifante) e Ceuntirion entre outro armamento.

Homenagem merecida

Para honrar a memória de todos aqueles que lutaram no Cuito Cuanavale, o Governo angolano construiu numa área de 3,5 hectares um conjunto de escultórico na praça memorial,  designadamente o monumento dos soldados, bandeira da República, gru-po escultórico e a parede dos heróis, que servem para eternizar a grandeza e o sacrifício dos milhares de angolanos que lutaram contra as tropas do regime do apartheid.
À entrada do município salta à vista o monumento da bandeira postada num edifício com 55 metros de altura e mil metros quadrados de área útil.

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