Política

Bienal faz apelo à transformação e capacitação positiva dos africanos

Manuel Albano

A conclusão mais importante da primeira edição da Bienal de Luanda foi o apelo para a formação de uma coligação múltipla de parceiros para a capacitação dos povos africanos para a transformação positiva das nossas sociedades, com o envolvimento das comunidades económicas regionais, as instituições académicas e associações profissionais, as organizações internacionais, o sector privado, a sociedade civil, filantropos e personalidades influentes no continente e no exterior.

Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

A avaliação é do ministro da Comunicação Social, João Melo, quando discursava, ontem, no Memorial Agostinho Neto, no encerramento da Bienal de Luanda.
Durante cinco dias, disse, tivemos o prazer de acolher em Luanda cerca de 2.800 delegados e participantes provenientes de todo o mundo, dos quais cerca de 2.000 do nosso próprio país e os restantes de outras nacionalidades, incluindo os delegados indicados pela União Africana e pela UNESCO. O ministro destacou ainda a presença no evento dos Chefes de Estado de Angola, João Lourenço, da Namíbia, Hage Geingob, e do Mali, Ibrahim Boubacar Keïta.
“Permitam-me destacar a presença neste evento de três Chefes de Estado de Angola, Namíbia e Mali, da directora geral da UNESCO, do presidente da Comissão da União Africana, do Prémio Nobel da Paz 2018, Denis Mukwege, da Comissária para os Assuntos Sociais da União Africana e do grande atleta e, sobretudo, cidadão africano Didier Drogba, assim como de vários ministros de 13 países, dos quais 11 africanos e dois europeus (Portugal e Bélgica), secularmente ligados ao nosso continente e, hoje, de forte e relevante imigração africana.”
Para João Melo, como bem expressava um dos lemas, a Bienal resumiu-se em cinco dias de reflexão, debates e intercâmbio, durante os quais foram realizados quatro eventos: Fórum de Parceiros, Fórum de Ideias, Fórum das Mulheres e Festival de Culturas.
“Os seus resultados foram devidamente enunciados no comunicado final. Mas como em África festa, mais do que lazer, é resistência, não posso deixar de realçar o êxito do Festival de Culturas, realizado na emblemática Fortaleza de Luanda, edificada pelos portugueses em 1576, para se defenderem de possíveis incursões marítimas contra a cidade e hoje convertida em Museu da História Militar de Angola”, recordou.
O ministro da Comunicação Social realçou, por outro lado, terem sido "feitas recomendações e sugestões para que a comunicação social reforce o seu papel como promotora da paz e do desenvolvimento de África.”
João Melo reafirmou, então, que o actual Governo angolano compreendeu desde o princípio, após as eleições de 23 de Agosto de 2017, a importância de criar no país um sistema de comunicação social aberto, plural, livre e diversificado. Afirmou que o facto é reconhecido não apenas pela sociedade angolana, mas também por organizações internacionais independentes, que têm melhorado a posição de Angola no ranking da liberdade de imprensa.
“Estamos conscientes de que ainda há muito a fazer e vamos fazê-lo”, considerou.
João Melo avaliou que os participantes da Bienal alertaram para, entre outros perigos, o da desinformação decorrente do uso inapropriado das chamadas redes sociais, abordagem com a qual, avançou, “estamos plenamente de acordo.”
“Aceitamos, por isso, o repto de investir na capacitação das pessoas para pensarem e usarem de ‘modo crítico’ as informações que recebem através desses meios, que, está visto, tanto podem servir para informar e libertar, como manipular grosseiramente, criar a polarização, assediar, estimular o ódio e voltar a escravizar.”
A primeira edição da Bienal de Luanda - Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz, que ontem encerrou, é uma iniciativa conjunta do Governo angolano, da União Africana e da UNESCO. De acordo com o ministro da Comunicação Social, a segunda edição já está aí à porta, tendo deixado algumas ideias, para que seja ainda melhor do que a que ontem encerrou.
“Na minha opinião, é necessário começar desde já a criar as condições para que o nível de participação dos cidadãos, sobretudo provenientes do exterior, seja maior do que aconteceu nesta edição inicial, facilitando as participações individuais”.
Disse, por outro lado, que um dos temas a debater necessariamente pelos povos africanos - a Bienal da Paz é um espaço adequado para isso - é a situação das diásporas africanas, ou seja, não apenas o seu grau e natureza de integração nas sociedades a que pertencem, mas também as possíveis formas de colaboração com os países africanos independentes.”

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