Política

Burundi quer cooperar no sector do turismo

João Dias e Garrido Fragoso

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Burundi, Alain Aime Nyamitwe, manifestou o interesse do seu país elevar a cooperação com Angola, dentro do acordo geral estabelecido há alguns anos, privilegiando as relações económicas e comerciais.

Alain Aime Nyamitwe ministro dos Negócios Estrangeiros do Burundi recebido na Cidade Alta
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Falando ontem, em Luanda, à saída de uma audiência que lhe foi concedida pelo Presidente da República, o chefe da diplomacia burundesa elogiou o papel que Angola desempenhou enquanto esteve à frente dos destinos da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), cujo mandato terminou em Novembro do ano passado. Mesmo com a passagem de pasta à República do Congo, sublinhou, Angola não deixou de ter um papel actuante no seio da organização regional.
O ministro entregou uma mensagem do Chefe de Estado do Burundi, Pierre Nkurunziza, ao homólogo angolano, João Lourenço. Na mensagem, Nkurunziza felicita João Lourenço pela eleição ao mais alto cargo da Nação e realça as excelentes e históricas relações de cooperação.
“Temos, em muitos casos, de passar em revista a nossa cooperação para avaliar em que grau está, e analisar o que já fizemos e o que é necessário fazer. São passos que temos de dar, inevitavelmente, para o fortalecimento das relações de âmbito bilateral”, disse Alain Aime Nyamitwe. Relativamente às áreas preferenciais de cooperação entre os dois Estados, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Burundi lembrou haver um Acordo Geral de Cooperação que é transversal e que perpassa por todos os sectores da vida económica e política, admitindo, no entanto, que é o sector económico e comercial que mais se tem vincado nos últimos anos.

Cooperação modesta
Ainda ontem, o ministro burundês dos Negócios Estrangeiros teve um encontro com o homólogo angolano, Manuel Augusto.
No final do encontro, Alain Nyamitwe considerou  “mo-desta” a cooperação entre o seu país e Angola, salientando que através daquele país da África Central Angola pode ter acesso ao mercado do Leste africano.
O chefe da diplomacia burundesa disse que os dois países já assinaram um acordo de base geral. “Caberá, agora, aos Governos dos dois países avaliar as áreas específicas em que a cooperação poderá assentar no futuro”, afirmou o ministro burundês, apontando como prováveis os sectores bancário, turístico, e mineiro.
Em relação ao processo político na RDC, disse que o mesmo é seguido com muita atenção pelas autoridades do Burundi, tendo em conta a proximidade territorial entre os dois países. “Mas a responsabilidade de tudo o que acontece no Congo Democrático é dos congoleses”, afirmou. Alain Nyamitwe garantiu que o Burun-di vai apoiar todos os esforços levados a cabo pelas organizações internacionais no quadro da estabilização da Região dos Grandes Lagos, mais concretamente da RDC. “Sendo que Angola preside o órgão de segurança da SADC, vamos apoiar toda a actividade levada a cabo por esta organização, para que haja paz na RDC, mas tudo depende da vontade e cooperação dos próprios congoleses”, afirmou o ministro burundês.
O director para África e Médio Oriente do Ministério das Relações Exteriores (Mirex) garantiu ontem todo o apoio de Angola para que o desfecho do processo político na República Democrática do Congo (RDC) seja o melhor possível e permita aos congoleses encontrar o entendimento com vista ao crescimento económico e social do país vizinho.
Falando à imprensa, no final do encontro entre os chefes das diplomacias angolana e burundesa, Joaquim do Espírito Santo garantiu que o apoio de Angola ao processo político congolês também pode ter benefícios para a Região dos Grandes Lagos e países vizinhos.
Joaquim do Espírito Santo anunciou, para o próximo mês, a continuação, em Luanda, das reuniões tripartidas, através das quais os Presidentes angolano e do Congo Brazzaville aconselham as autoridades congolesas, no quadro da realização das eleições naquele país marcadas para Dezembro deste ano.
Sublinhou que Angola apoia todos os esforços tendentes a pacificar a Região dos Grandes Lagos, mais concretamente a RDC.

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