Política

Chama eterna dos heróis

Kumuênho da Rosa |

Inaugurado ontem pelo Presidente da República, Monumento ao Soldado Desconhecido é o novo cartão postal de Luanda. Idealizado para lugar de solenidades, junta-se à Fortaleza de São Miguel e à praça Saydi Mingas.

Presidente da República inaugura Monumento ao Soldado Desconhecido
Fotografia: Rogério Tuti | Edições Novembro

Uma obra imponente, única do ponto de vista arquitectónico, que homenageia os heróis tombados pela pátria, e que preenche, na zona da Baia de Luanda, o conjunto de monumentos temáticos ao longo de praticamente toda a extensão da antiga avenida 4 de Fevereiro.
Cercado a poucos metros de metros pela nova praça Saydi Mingas, sobre o museu da Moeda, e pelo Largo da Amizade Angola e Cuba, o Monumento ao Soldado Desconhecido é uma obra emblemática no centro histórico de Luanda, que personifica o reconhecimento do sacrifício daqueles combatentes tombados pela independência, pela manutenção da soberania e pela paz, cujos corpos ficaram por identificar. Projectado para ser um lugar de eventos e actos solenes, comporta uma série de motivos que anunciam as múltiplas utilidades do monumento.
De propósito, o Governador da província de Luanda emitiu um edital que altera a circulação de veículos naquele perímetro, transformando o antigo largo Fernando Coelho da Cruz numa área pedonal.
A cerca de 72 horas de deixar o cargo, o Presidente José Eduardo dos Santos terá tido ontem o derradeiro acto público como líder da nação. Antes da caminhada simbólica pelo pórtico e acender, pela primeira vez, a chama sagrada, José Eduardo dos Santos participou numa cerimónia de entrega oficial da obra, em que foram feitos discursos e explicações sobre os vários momentos da execução da obra que durou cerca de quatro meses.

Caminhos da paz


Numa das intervenções, o ministro da Defesa Nacional, em exercício, assinalou o lado inspirador do monumento para as actuais e futuras gerações de angolanos. Salviano de Jesus Cerqueira defendeu que o monumento, além do simbolismo que encerra em relação aos heróis tombados, deve servir para “iluminar os caminhos da paz, da concórdia e da reconciliação”, para que Angola jamais seja palco de uma guerra.
“É uma homenagem aos heróis anónimos que souberam honrar a farda, sem esperar qualquer reconhecimento, defendendo a integridade do território nacional, a unidade da nação, as suas instituições e o povo angolano”, frisou Salviano Cerqueira, antes de se referir à “imponência do monumento”, que no seu entender, está ao nível dos “actos de bravura e determinação dos combatentes”.

Homenagem justa


Uma homenagem oportuna e justa, disse a ministra da Cultura, que destaca o valor que a obra empresta à zona histórica de Luanda que ganha, segundo disse, mais um lugar de visita e de memória da nossa história política e militar, que orgulha e torna ainda mais rica a herança colectiva.
Carolina Cerqueira recomendou a visita ao local, para turismo ou por lazer, e evocou “Meninos do Huambo”, célebre poema de Manuel Rui Monteiro, para sublinhar que ir ao Monumento ao Soldado Desconhecido será “mais uma oportunidade de saberem o que custou a liberdade”.

Esforço abnegado


Já o ministro da Construção destacou a forma abnegada como as equipas (arquitectos, engenheiros e fiscais), entregaram-se para tornar a obra realidade e dentro dos prazos. Artur Fortunato também falou do simbolismo da obra, salientando a obrigação de valorizar a história e seus protagonistas, ainda que tenham tombado sem que tenha sido possível identificá-los.
“É nossa obrigação preservar no tempo tais feitos, como fonte de conhecimento da nossa história”, afirmou o ministro, antes de assinalar que a “construção do monumento homenageia quem, à custa da própria vida, não regateou esforços em nome dos valores supremos da pátria, da liberdade e da nacionalidade”.

Monumento a paz


Presente na cerimónia, a embaixadora de Cuba realçou a imponência da obra, que no seu entender, vale muito mais pelo apelo que ela faz, no seu conjunto, à paz.
“Penso que o mais importante é o apelo que o monumento faz à paz, para que nunca mais em Angola ocorra uma guerra, que haja irmandade entre todos os angolanos”, assinalou.

Memorial


A obra, iniciada em Junho, é dedicada a todos os cidadãos que heroicamente, alheios a qualquer reconhecimento ou recompensa, tenham sacrificado as suas vidas numa frente de batalha, sem que os seus corpos tenham sido identificados.
Num dos murais é feita uma dedicatória “aos que perderam as suas vidas em combate no cumprimento do dever ou pelo sonho maior de terem uma pátria, de serem parte de um povo livre e independente”.
Situado na intercepção da avenida 1.º Congresso do MPLA com a Marginal de Luanda, o Memorial ao Soldado Desconhecido ocupa uma área de 270 metros de comprimento, 60 metros de largura, encravado entre os edifícios dos Correios de Angola e do Comando da Marinha de Guerra.
O monumento possui uma estrutura metálica com 16 peças entrelaçadas, cada uma com um peso de 8.8 toneladas, representando a união dos soldados por uma causa comum. O Memorial tem 23 metros de altura, uma rampa da zona cerimonial com 50 metros de comprimento, um facho cuja chama "eterna" ergue-se através de uma estrela dourada que simboliza a mais alta condecoração aos soldados tombados.
No segundo mural, está o Hino da República e, num terceiro, se pode ler que “o monumento é tido como a mais alta homenagem a todos soldados que tombaram pela nação, por uma Angola livre”.

 

 

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