Política

China anuncia novo ciclo de investimentos em Angola

João Dias

O embaixador cessante da China em Angola, Cui Aimi, anunciou hoje, em Luanda, o interesse em promover um novo ciclo de investimentos, para apoiar o desenvolvimento económico e social de Angola.

Fotografia: Santos Pedro|Edições Novembro

O embaixador cessante da China, Cui Aimin, anunciou ontem, em Luanda, o interesse do seu país promover um novo ciclo de investimentos, para apoiar o desenvolvimento económico e social de Angola.
Falando aos jornalistas no final de uma audiência que lhe foi concedida, no Palácio da Cidade Alta, pelo Presidente da República, João Lourenço, o embaixador chinês, em fim de missão diplomática em Angola, disse que é também objectivo do “gigante asiático” impulsionar o investimento, principalmente nas áreas da agricultura e da indústria.
A disponibilização do financiamento de cerca de dois mil milhões de dólares da China para programas de desenvolvimento em Angola, já anunciados, está condicionado à concepção e qualidade dos projectos, ou seja, segundo Cui Aimin, o financiamento vai ser disponibilizado em função da viabilidade económica dos projectos elaborados no país.
O diplomata, que apresentou cumprimentos de despedida ao Presidente da República, João Lourenço, disse augurar um futuro muito brilhante nas relações entre os dois países e que a China tem toda a confiança no desenvolvimento de Angola, embora se assista a uma fase de dificuldades económicas.
“Com a determinação do povo, o país está a recuperar a sua economia e a tornar-se cada vez melhor”, disse Cui Aimin, que cumpre missão em Angola desde Setembro de 2015.
O embaixador disse “acreditar firmemente na melhoria das condições sócio-económicas do país”, sublinhando que sai de Angola com o sentimento de missão cumprida, apesar de deixar muita coisa por fazer, esperando que o seu sucessor conclua tudo quanto esteja por ser concluído e que a cooperação entre os dois países continue sustentável.
Em relação ao financiamento de cerca de dois mil milhões de dólares, o diplomata reiterou que a disponibilização dos montantes está condicionada à apresentação de novos projectos, mas garante que a China tem toda a confiança no futuro e no processo de desenvolvimento de Angola. “Acreditamos que o nosso esforço conjunto pode resolver os problemas e realizar os financiamentos que forem necessários à prossecução dos projectos”, disse.
Recentemente, o diplomata chinês considerou que as relações com Angola conheceram um novo impulso, no ano passado, com a participação do Presidente João Lourenço, em Pequim, no Fórum de Co-operação China-África (Focac, na sigla inglesa) e com a primeira visita de Estado ao gigante asiático. Cui Aimin admitiu que, durante o ano passado, os investimentos chineses em Angola conheceram uma ligeira diminuição.
Sem enumerar, o embaixador informou que muitas empresas chinesas estão a ser incentivadas a investir em Angola nas áreas da agricultura e da indústria. Mas Cui Aimin foi cauteloso relativamente aos resultados dos investimentos feitos recentemente ou os que venham a ser feitos. “Precisamos de algum tempo para que estes resultados se manifestem, porque os investimentos têm um ciclo de, pelo menos, cinco anos para darem resultados”, disse Cui Aimin.

Angola é um exemplo
O Presidente da República recebeu ainda ontem, em audiência, o embaixador da Guiné-Conacry em Angola, Djigiu Camara, também em fim de missão, com quem abordou aspectos ligados às relações de cooperação entre os dois países.
Djigiu Camara considerou “excelentes” as relações entre os dois países, mas lembrou haver margem para as guindar do nível político para o económico.
O diplomata desdobrou-se em elogios sobre o que viu durante os quatro anos de mandato. “Angola é um modelo e vive uma paz e estabilidade raras em África. É um país que sabe resolver os seus problemas. Não são vistas greves permanentemente, nem tensões sociais no seio das populações, nem tensões políticas”, salientou.
Para o embaixador, esta propensão para a paz e estabilidade e o potencial que tem em outras áreas devem ser vistos como um exemplo a ter em conta no continente.
Para o diplomata da terra do histórico Presidente Sekou Touré, Angola está no bom caminho, não só pelo modo brilhante como conduz o seu processo político, mas também pela forma como conduz as questões de cariz económico. “Tenho a certeza que este é um processo que, quando estiver concretizado, vai ser partilhado com o continente”, disse a concluir.

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