Política

China emprega em África acima de cem mil milhões

João Dias | Brazzaville

O volume de investimento da China em África ao longo dos últimos anos é de mais de 100 mil milhões de dólares voltados, sobretudo, para impulsionar o crescimento económico de vários países no continente, com incidência na construção de infra-estruturas, projectos estruturantes de electrificação, caminhos-de-ferro e eixos rodoviários, revelou o vice-ministro das Finanças daquele país, Xu Hongeai.

Fotografia: Dombele Bernardo | Brazzaville | Edições Novembro

Ao intervir, em Brazzaville, na abertura do 5º Fórum Investir em África (FIA), que termina hoje, Xu Hongeai garantiu que, em matéria de financiamento, a China vai continuar a apoiar o desenvolvimento dos países africanos. “Partimos do zero e estamos a crescer. Hoje, o volume de investimento da China em África é de mais de 100 mil milhões de dólares em grandes projectos e em matéria de infra-estruturas”, disse Xu Hongeai, para quem a cooperação com África deve continuar orientada para os mercados e o comércio, embora deixe nítido ser preciso reforçar a capacidade para enfrentar novos desafios.
O número revelado pelo vice-ministro foi, depois, explicado pelo vice-presidente executivo do Banco de Desenvolvimento da China, Liu Jin, que afirmou no Fórum realizado entre os governos da República do Congo e da China e Banco Mundial, que o seu pais concedeu financiamento para projectos estruturantes a 32 países africanos.
Liu Jin entende que o investimento nestes países foi possível, porque a China está comprometida com o crescimento de África. Para o executivo do Banco chinês, é preciso união para crescer, mas há a necessidade de se deixar de lado o proteccionismo. “Há desafios, mas há, igualmente, oportunidades. Devemos explorar a cooperação de alto nível que temos e nos alinharmos à agenda 2063”, disse.
Para apoiar as iniciativas de crescimento de África, prometeu a oferta de serviços financeiros diversificados com empréstimos de longo prazo, numa altura em que se pretende explorar a possibilidade de cooperar de modo mais estreito com o Banco Mundial.
Antes, o vice-ministro das Finanças enumerou as políticas preconizadas pela China para a cooperação com a África, considerando ser este o momento de se olhar para investimentos de qualidade superior, mas sem esquecer o necessário alinhamento às regras internacionais, as quais exigem a melhoria do ambiente de negócios.
Para o vice-ministro das Finanças da China, a melhoria do ambiente de negócios tem potencial para a salvaguarda dos interesses do investidor e a garantia de investimentos mais seguros a nível dos mercados. “É preciso avançar na melhoria do ambiente de negócios e da legislação. Devemos trabalhar de maneira sólida para que isso seja possível. Precisamos fazer negócios de forma justa e vantajosa”, realçou Xu Hongeai, acrescentando que a China está determinada a partilhar o seu desenvolvimento, tendo em conta que ambas as partes precisam um do outro para crescer.
Num mundo em rápida e permanente mutação, Xu Hongeai garante querer que o seu país e África mostrem ao mundo que há um grande dinamismo e parceria, assim como muitas oportunidades por desbravar, deixando expressa a preocupação com os sinais de proteccionismo que podem desestabilizar e travar o desenvolvimento. Assegurou que Pequim está decidida a trabalhar com os países africanos e a apoiar a iniciativa para o desenvolvimento, mas também com as organizações multilaterais e internacionais como o Banco Mundial. O objectivo é alcançar uma Cooperação Sul e Sul alinhada à estratégia de desenvolvimento de cada país com necessidades próprias e realidades específicas.
Ao reafirmar a importância do FIA, Xu Hongeai lembrou que aquela plataforma de cooperação abre a possibilidade de estreitar as relações China-África, sublinhando que o continente tem recursos e é “terra de promessa”, o que explica a participação de 600 delegados no fórum que encerra hoje.
Os delegados ao 5º Fórum Investir em África, previu o responsável, vão discutir os temas mais importantes para o crescimento de África: diversificação da economia e criação de emprego, capital humano, parcerias público-privadas, cadeias de valor e a geração de energia.
“Queremos trazer acções concretas para gerar resultados nos sectores da Saúde, Educação e da Indústria. Ainda mais importante, é que precisamos fazer avançar a agenda 2063, elevando a cooperação e aproveitando o crescimento demográfico”, declarou o ministro chinês das Finanças, para quem a cooperação só fará sentido se os resultados forem visíveis, traduzirem as reais potencialidades, crescimento real e capacidade real de criação de empregos.

Líderes do continente com ideias convergentes

O primeiro dia do 5º FIA foi marcado por intervenções dos Chefes de Estado presentes no evento, que coincidiram em que a África está cheia de desafios, mas, sobretudo, de oportunidades. Embora, cada uma das intervenções tivesse aspecto específico, houve convergência em muitas outras questões.
A electrificação do continente, a construção de infra-estruturas, criação de condições para o fomento do emprego por via do investimento estrangeiro ou nacional e a necessidade da melhoria do ambiente de negócios foram as questões mais citadas nos diversos discursos.
O Presidente da República, João Lourenço, e o seu homólogo do Rwanda, Paul Kagame, consideraram que África precisa de mudanças urgentes e de abandonar as velhas práticas, se quiser deixar para a história os assustadores índices de pobreza.
O Fórum Investir em África foi instituído em 2015 como plataforma internacional para promover a cooperação multilateral e as oportunidades de investimento no continente africano.

Banco Mundial na cooperação sino-africana

Num fórum que visa o investimento e na presença de homens de negócios, criativos, detentores de capital financeiro e de tecnologia e inovação, o vice-presidente do Banco Mundial para o Médio Oriente e África, Hafez Ghanem, começou a sua intervenção de dez minutos com a pergunta: “por quê estamos aqui, no Fórum Investir em Africa”?
Para Hafez Ghanem, a reunião realiza-se “porque sabemos que África é um destino para o desenvolvimento, queremos a diversificação da sua economia e estamos aqui porque queremos oferecer parcerias para apoiar a criação de emprego e autonomia da mulher e a juventude”.
Relativamente à diversificação económica de África, Hafez Ghanem lembrou que o continente não é obrigado a copiar o modelo de desenvolvimento de outras regiões, pois tem a sua realidade.
Estudos a nível do Banco Mundial mostraram que a era digital e das tecnologias representa uma oportunidade para o continente, numa altura em que cerca de 11 mil milhões de dólares serão mobilizados para o efeito. A juntar-se a isso, está o facto de África ter recursos e uma população de mais de mil milhões de habitantes, maioritariamente jovem.
Além disso, realçou, o mercado consumidor está a crescer em contraponto a uma pobreza cada vez mais gritante. Por isso, para o vice-presidente do BM para o Médio Oriente e África, é fundamental que o continente desenvolva o capital humano, a digitalização, inovação e melhore a gestão da dívida, removendo assim os obstáculos ao desenvolvimento do continente.
Na sua visão, África deve considerar como base do seu desenvolvimento a electricidade, apelando ao sector privado a embarcar neste propósito, pois nenhum país pode avançar sozinho. “Partilhamos a convicção de que a África está no ponto de ignição, pronta a arrancar para um desenvolvimento inclusivo”, concluiu.

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