Política

China investiu no país mais de 20 mil milhões

Faustino Henriques

O investimento directo da China no mercado angolano já ultrapassou os 20 mil milhões de dólares e a dívida angolana baixou de 23,2 mil milhões, em 2017 para 22,8 no ano passado, revelou ontem, em Luanda, o embaixador da China em Angola, Gong Tao.

Embaixador Gong Tao falou das relações com Angola
Fotografia: Alberto Pedro | Edições Novembro

Durante a conferência de imprensa para abordar as relações entre Angola e a China, os acontecimentos em Hong-Kong e a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, o diplomata disse que a China é o maior parceiro comercial de Angola e, no continente africano, Angola é o segundo maior parceiro do seu país.
“Até ao ano passado, mais de 50 por cento do investimento directo em Angola foi feito por empresas chinesas, de acordo com os dados divulgados pela Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX)”, explicou o embaixador da China em Angola.
Gong Tao lembrou que a China foi o primeiro país a responder positivamente às solicitações feitas pelas autoridades angolanas, pouco depois do alcance da paz, em 2002, para o processo de reconstrução nacional. E para traduzir em números, Gong Tao frisou que, com a cooperação do seu país, foram recuperadas mais de 2.800 quilómetros de ferrovias, mais de 20 mil quilómetros de estradas, acima de 100 mil habitações e seis mil construções que envolvem escolas e centros hospitalares.
O embaixador chinês, que está em Angola desde Março, destacou os esforços de Angola na diversificação da economia, sobretudo na dinamização do sector produtivo para reduzir a excessiva dependência externa em matéria de bens de primeira necessidade.
“A China encoraja as autoridades angolanas a prosseguir na via das reformas e deseja aumentar o seu contributo no processo de industrialização e diversificação da economia”, assegurou o diplomata da segunda maior economia do mundo. Gong Tao disse que as empresas e os produtos angolanos na China são bem-vindos, tendo destacado o que na sua opinião foi “uma boa recepção do sumo e cerveja “Made In Angola” no mercado chinês.
Quando solicitado para pronunciar-se sobre as condições de financiamento e as garantias dadas pela China, o embaixador disse: “as modalidades de financiamento e as formas de liquidação são feitas através de diálogo e concertação entre os Governos, entre as instituições bancárias e não por imposição de uma das partes, como às vezes é mal entendida”. Sobre os números concretos da dívida, os juros e as modalidades de pagamento, Gong Tao disse que “o importante é entender que tudo quanto foi negociado obedeceu a acordos e compromissos, baseados no respeito mútuo, na não ingerência nos assuntos internos e na reciprocidade de vantagens”.

Tempo

Multimédia