Política

Cidadãos marcharam pela paz nas estradas

André da Costa |

Mais de três mil cidadãos de várias organizações da sociedade civil participaram ontem, em Luanda, numa marcha em alusão ao Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada, cujo acto central teve lugar em Benguela.

Várias organizações da sociedade civil estiveram ontem no Largo das Heroínas
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

O cortejo, liderado pelo secretário de Estado do Ministério do Interior, José Bamóquina Zau, partiu do Largo das Heroínas, por volta das 11h15  e terminou no espaço defronte ao Cine Atlântico, onde foi montada a Feira do Acidente, organizado pela Direcção Nacional de Viação e Trânsito (DNVT).  
Por volta das 12h00,  José Bamóquina Zau depositou uma coroa de flores na Praça da Independência, a que se seguiu  um minuto de silêncio em memória das pessoas que morreram vítimas de acidente de viação. O momento foi marcado por uma oração feita pelo bispo da Igreja Universal do Reino de Deus Manuel Guedes.    
O secretário de Estado do Interior recordou que, de Janeiro a Setembro, se registaram  em todo o país 7.365 acidentes, com 1.851 mortes e 7.848 feridos. José Bamóquina Zau chamou a atenção dos automobilistas   para fazerem uma condução defensiva, respeitando o Código de Estrada por forma a evitar acidentes de viação. "O facto de muitos cidadãos deixarem os seus afazeres em pleno domingo e se juntarem à marcha deve servir de reflexão a cada cidadão sobre a necessidade de se cumprirem  todas as orientações da legislação rodoviária", disse José Bamóquina Zau.

Disciplina curricular
A sinistralidade rodoviária, considerada a segunda causa de morte no país, levou o Ministério do Interior a trabalhar  juntamente com o da Educação, para que, no próximo ano lectivo, matérias relacionadas com acidentes de viação façam integrem o currículo escolar e permitam que os alunos compreendam melhor as regras de circulação rodoviária. 
Durante a marcha, os participantes apelaram em uníssono  aos automobilistas para a necessidade do cumprimento do Código de Estrada. “Peão consciente é peão seguro, se beber não conduza e se conduzir não beba, use as pedonais para a travessia,  respeite a sinalização do trânsito”, foram chamadas de atenção gritadas pelos manifestantes.

Testemunho
Tito Cardoso, estudante, aderiu à marcha, por ter um familiar que no mês de Junho sofreu um acidente de viação de noite, que o deixou com sequelas que o impede de se movimentar com regularidade.
Tito Cardoso afirmou que há automobilistaa que não respeitam o Código de Estrada nem as passadeiras, circulando sem qualquer precaução, o que considerou  negativo. A cidadã Clementina Alberto perdeu um irmão e uma sobrinha em acidentes de viação, quando ambos faziam a travessia da estrada no município de Cacuaco. A estudante recorda a data com tristeza, por isso apelou aos  utentes das vias para terem atenção quando fazem a travessia das estradas e ruas.
O delegado da Arquidiocese da Pastoral da Migração, Silva Carolina da Cunha, levou para a marcha 50 membros de várias paróquias como forma de solidariedade neste importante dia para o mundo. Antes da marcha, os seus membros sensibilizaram automobilistas e distribuíram folhetos com conselhos úteis sobre prevenção rodoviária.
O coordenador nacional da Brigada Juvenil da Sinistralidade Rodoviária da JMPLA, Aleixo Nhanga, mobilizou 300 jovens para a marcha e lamentou o facto de muitos cidadãos se recusarem fazer travessia nas passadeiras e pedonais.
As campanhas de prevenção da sinistralidade rodoviária em Luanda estiveram viradas para a mobilização de cidadãos para evitarem os atropelamentos, usando de forma constante estes equipamentos. “Temos feito esforços para mobilizar os vendedores que exercem as suas actividade junto das pedonais para escolherem outros locais mais seguros”, disse Aleixo Nhanga.

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