Política

Combate cerrado aos garimpeiros

Armando Sapalo | Dundo

O governador da Lunda-Norte decretou ontem, na cidade do Dundo, “tolerância zero” à imigração ilegal e à  extracção e tráfico ilícito de diamantes na província, pelo facto destes fenómenos colocarem em risco a soberania e a economia do país.

Governador da Lunda-Norte falou sobre as consequências negativas da exploração ilegal de diamantes na economia
Fotografia: Benjamin Cândido | Edições Novembro - Dundo

Em declarações aos jornalistas, no quadro dos 100 dias de governação desde a sua recondução e tomada de posse como governador provincial da Lunda-Norte, Ernesto Muangala considerou “crucial” o sector da defesa e segurança para a concretização das acções de combate à imigração clandestina, assim como à exploração e comercialização ilegal de diamantes.
Lembrou que a primeira medida tomada nos seus primeiros três meses de governação foi a de orientar a delegação provincial do Ministério do Interior para substituir os comandantes municipais, sobretudo nas circunscrições com intensa actividade de exploração diamantífera.
“Todos os municípios, sobretudo os diamantíferos, têm novos comandantes municipais”, explicou Ernesto Muangala, garantindo que com a medida pretende diminuir ao máximo o impacto negativo do garimpo ilegal de diamantes na economia do país.
 O diamante, recordou, é o segundo maior produto de exportação do país depois do petróleo, cujo peso das receitas dele proveniente, em termos de contribuição para o Orçamento Geral do Estado, deve ser salvaguardado. O governador destacou a operação “Luembe” desencadeada em Setembro do ano passado no município do Cambulo, como crucial, por se ter recuperado dos garimpeiros uma área de 7.000 quilómetros quadrados pertencente à Sociedade Mineira do Chitotolo.
A operação “Luembe” no município do Cambulo resultou na detenção de mais de 25 mil cidadãos estrangeiros, em situação migratória ilegal, cidadãos nacionais entre soldados e oficiais das Forças Armadas Angolanas, provenientes de vários pontos do país, implicados no fenómeno da exploração e tráfico ilícito de diamantes, revelou o governador.
Ernesto Muangala revelou ainda que a evasão à área de concessão da Sociedade Mineira do Chitotolo pelos garimpeiros ilegais resultou na redução drástica dos níveis de produção da empresa, na ordem dos 30 por cento. Orientou, por isso, as forças de defesa e segurança para a salvaguarda dos interesses económicos da região. “Se não houvesse a intervenção do governo provincial, a invasão dos garimpeiros naquela área iria provocar a paralisação do projecto Chitololo”, afirmou o governador.

Operação Luembe-2
 O governador da Lunda-Norte disse que as acções para o combate à imigração ilegal e o garimpo de diamantes prosseguem, acrescentando que está em curso a “operação Luembe-2”, no município do Lucapa, uma das circunscrições da província muito vulnerável aos fenómenos de imigração ilegal e garimpo de diamantes.
A operação “Luembe-2” vai estender-se a outros municípios diamantíferos da província, caso do Cuan­go, Xá-Muteba e Capen­da-Camulemba, informou Ernesto Muangala, que re­centemente visitou a província do Kassai Central, na República Democrática do Congo, onde avaliou com os governadores das províncias congolesas que fazem fronteira com a Lunda-Norte a situação da imigração ilegal e a necessidade do reforço da segurança ao longo dos limites fronteiriços, para a redução dos focos de imigração clandestina.
“O país, a partir da Lunda-Norte, tem estado a sofrer uma invasão silenciosa de imigrantes ilegais da RDC e de países oeste africanos”, declarou o governador.
A Lunda-Norte partilha uma fronteira de 770 mil quilómetros quadrados com a República Democrática do Congo, através das províncias do   Kassai, Kassai Central, Kwilo, Kwango e Lwaluaba. 

Perspectivas de governação

O governador da Lunda-Norte informou que durante os primeiros 100 dias de governação trabalhou de forma afincada na preparação dos seus colaboradores directos, no sentido de terem contacto permanente com a legislação da Administração Lo­cal do Estado, e desta forma serem materializadas as me­tas preconizadas.
O governador perspectiva, de acordo com a disponibilidade financeira, executar programas para o crescimento social e económico da província, consubstanciados no reforço dos  sectores da saúde e educação, formação de quadros, melhorias das vias de comunicação e a electrificação da província.

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