Política

Comboio no Huambo em grande velocidade

Vitória Quintas| Huambo

A linha do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), reabilitada e modernizada, entre o Porto do Lobito  e o Planalto Central está em condições de garantir o transporte de passageiros e mercadorias,  após 27 anos de paralisação.
A via-férrea, com capacidade para transportar mais de quatro milhões de passageiros por ano e 20 milhões de toneladas de carga, é hoje inaugurada pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

A linha do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), reabilitada e modernizada, entre o Porto do Lobito  e o Planalto Central está em condições de garantir o transporte de passageiros e mercadorias,  após 27 anos de paralisação.
A via-férrea, com capacidade para transportar mais de quatro milhões de passageiros por ano e 20 milhões de toneladas de carga, é hoje inaugurada pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos. Para o bom funcionamento do Caminho-de-Ferro de Benguela, foram importadas locomotivas, carruagens e vagões de carga da África do Sul. 
O ministro dos Transportes, Augusto Tomás, numa visita, em Julho, ao longo da linha-férrea, disse que as obras tinham sido acompanhadas por uma fiscalização rígida e competente, que seguiu as regras e padrões estabelecidos internacionalmente. "Chegou o momento do povo angolano, em particular das províncias do Huambo, Bié e Moxico, voltarem a sorrir como no passado, porque têm o comboio nos carris", afirmou então.
O Caminho-de-Ferro de Benguela parte do Porto do Lobito e estende-se por 1.344 quilómetros em direcção ao Leste, atravessando as províncias do Huambo e Bié até a fronteira Leste, na província do Moxico, com República Democrática do Congo e a  Zâmbia. Ao longo da sua existência foi o mais poderoso instrumento de progresso do Planalto Central e permitiu combater a desertificação humana em vastas áreas do interior.
O Executivo, que beneficiou da linha de crédito da China, adjudicou, em Janeiro de 2006, a empreitada das obras de reabilitação e modernização do Caminho-de-Ferro de Benguela. Os quadros da empresa  beneficiam de formação académica e profissional para responderem aos desafios da modernização e reabilitação da via.
O Caminho-de-Ferro de Benguela, além de percorrer uma vasta área do território nacional, constitui uma importante via de escoamento de produtos e bens para os países que não beneficiam da costa marítima. Durante décadas, foi a via privilegiada para o escoamento de cobre das minas do Catanga, na República Democrática do Congo. Do tráfego drenado para o litoral, consta especialmente minério de cobre, cobalto, manganês e zinco vindos da República Democrática do Congo e da Zâmbia.
Do tráfego de mercadorias  fazem também parte produtos agrícolas oriundos do interior do país, combustíveis, materiais de construção, conservas, sal e peixe. 
A empresa do Caminho-de-Ferro de Benguela foi fundada em 27 de Novembro de 1902, por Decreto que autorizava a concessão de terras para a construção da uma linha férrea do Lobito à fronteira Leste de Angola com a República Democrática do Congo e da Zâmbia.
O contrato de concessão foi outorgado no dia seguinte entre o Governo português e o cidadão britânico Robert Williams, a quem foi concedido o direito de construir e explorar o caminho-de-ferro por um período de 99 anos.
O Caminho-de-Ferro de Benguela atingiu, em 1973, um valor de transporte estimado em 3.279.439 mil toneladas, incluindo o tráfego internacional. Com o início da guerra civil, em 1975, a exploração ferroviária de tráfego internacional foi suspensa devido à guerra e a   sabotagens.
Em Novembro de 2001, cessou o contrato de concessão e o Estado angolano ficou na posse do Caminho-de-Ferro de Benguela, com todo o seu material fixo e circulante. O Caminho-de-Ferro de Benguela passou a ser gerido por uma comissão de gestão. Mais uma vez a guerra impediu a exploração normal e sucessivas sabotagens obrigaram mais uma vez a interromper as operações.
Por orientação do Governo, a reabilitação começou em 2001, com fundos do Estado, tendo reaberto ao tráfego comercial, em Julho de 2004, o troço de 44 quilómetros entre a Calenga e Santa Iria, no Huambo, e em Dezembro do mesmo ano, o troço de 154 quilómetros que liga Lobito e o Cubal, na província de Benguela.
A reabilitação da via-férrea decorreu por fases e a primeira e mais importante integrou o percurso entre o Lobito, Catengue e Cubal. As populações da região começaram a sentir os efeitos da importante infra-estrutura, porque começaram a escoar os produtos do campo e a receber a partir do litoral bens de primeira necessidade. A mobilidade das populações ganhou tal impulso que numerosas pessoas começaram a dedicar-se ao comércio entre o Lobito e o Cubal.

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