Política

Comissário Francisco Massota volta ao julgamento

O Supremo Tribunal Militar começa a ouvir hoje o comissário Francisco Massota e outros cinco efectivos da Polícia Nacional, acusados dos crimes de burla por defraudação e conduta indecorosa.

Fotografia: Edições Novembro

O julgamento, que decorre nas instalações do Instituto Superior de Ciências Policiais e Criminais, começou na terça-feira passada, altura em que foram lidas as acusações, a pronúncia e a contestação da defesa. O tenente-general Domingos Salvador é o juiz da causa.
O comissário Francisco Massota, 59 anos, conselheiro do comandante-geral da Polícia Nacional, é julgado por suposta prática de 30 crimes de burla por defraudação, conduta indecorosa e abuso no exercício do cargo, quando era o director da Escola Nacional de Formação de Polícia de Protecção e Intervenção.
Além do comissário Francisco Massota, estão igualmente arrolados no processo como réus outros cinco elementos da Polícia Nacional, nomeadamente, as agentes Márcia Crispin e Elisandra Tomás, os subinspectores Elsa Manuel e Belchior Kussendala, assim como o intendente Veloso Moisés, que são acusados de conduta indecorosa e burla por defraudação.
Segundo a acusação do Ministério Público Militar, proferida por Filomeno Octávio, em Maio de 2016, Francisco Massota, na altura director da Escola Nacional de Formação de Polícia de Protecção e Intervenção, chamou ao seu gabinete as agentes Elisandra Tomás e Márcia Crispin, a quem orientou para encontrarem 100 cidadãos para o ingresso na Polícia Nacional, a troco de 300 mil kwanzas por cada processo. Francisco Massota terá arrecadado cerca de 26 milhões e 600 mil kwanzas com esse processo.
A acusação refere ainda que Elisandra Tomás entregou 20 milhões de kwanzas, ao passo que a sua irmã, Márcia Crispin, entregou 900 mil kwanzas ao comissário Massota.
A subinspectora Elsa Maria, que terá servido de intermediária no processo, entregou três milhões e 300 mil kwanzas a Elisandra Tomás para entregar a Francisco Massota.
O subinspector Belchior Kussendala e o intendente Veloso Moisés entregaram, cada, um milhão e 200 mil kwanzas a Elisandra Tomás para assegurar as vagas de oito familiares.
Na pronúncia, lida pelo juiz do Supremo Tribunal Militar, tenente -general Domingos Salvador, refere-se que depois de receber o dinheiro e na impossibilidade de cumprir o prometido, uma vez que os visados estavam a reclamar devido ao passar do tempo, Francisco Massota atirou a responsabilidade à agente Elisandra Tomás.
Elisandra Tomás sofria constantes ameaças, por parte das pessoas que pagaram, e chegou mesmo a ser agredida.

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