Política

Convocada reunião sobre a RCA

A capital do Gabão, Libreville, acolhe hoje uma reunião da União Africana sobre a República Centro Africana, que vai debater os últimos desenvolvimentos da situação política e de segurança naquele país.

Cidade de Libreville acolhe hoje sob a égide da União Africana uma reunião ministerial para avaliar o actual quadro de segurança na RCA
Fotografia: AFP

Segundo a Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), um total de 21,5 mil pessoas entraram nas últimas semanas na República Democrática do Congo (RDC), fugindo da violência na vizinha República Centro-Africana. O movimento massivo de pessoas fugindo da violência preocupa os líderes da região e também a oganização continental. A ACNUR lançou sexta-feira um alerta evido ao ressurgimento da violência entre grupos de autodefesa e outros grupos armados em zonas da RCA, particularmente no sul e norte do país.
Foram registados actos de violência nas cidades de Zemio, Bria e Kaga Bandaro, envolvendo também as forças de manutenção de paz e rebeldes do movimento Seleka. Em Zemio, perto da fronteira com a RDC, o pessoal da ACNUR informou que grupos rivais mantêm combates nos quais inclusive foi usada artilharia.
Algumas moradias próximas ao escritório da Acnur pegaram fogo como consequência do impacto dos projécteis e mais de mil pessoas fugiram das suas casas. Muitos centro-africanos buscam refúgio numa igreja católica na cidade, enquanto cerca de 60 pessoas se ampararam nas instalações da ONU.
A violência também afectou seriamente os 3 mil refugiados congoleses que vivem num acampamento em Zemio que foi invadido por homens armados. Em Angola, mais propriamente na região da Lunda Norte, mais de 31 mil refugiados congoleses que se encontram no Dundo, começaram a ser transferidos para o campo de refugiados do Lóvua.
Tanto a RDC como a RCA são membros da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL), organização que Angola preside desde Janeiro de 2014. Angola teve um papel de relevo do processo de transição política na RCA,que culminou com a realização de eleições, a formação de um Governo de inclusão, um novo Parlamento e a escolha de um novo Presidente, desde Março de 2016.
Na reunião de Libreville, convocada pela União Africana, Angola participa na reunião com uma delegação chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti.

Périplo africano

Depois de Libreville, o ministro das Relações Exteriores participa, em Lusaka, Zâmbia, na reunião ministerial do Mecanismo Tripartido Angola, Zâmbia e República Democrática do Congo.
A última etapa do périplo do chefe da diplomacia angolana será Dar-es-Salam, capital da Tanzânia, onde Georges Chikoti participa na reunião do mecanismo da SADC.
A situação política e de segurança tem sido motivo de preocupação da comunidade internacional, em particular da União Africana e da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos, presidida por Angola.
Na 29.ª cimeira da União Africana, realizada recentemente em Adis Abeba, Etiópia, o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki, apresentou um relatório sobre a situação de Paz e Segurança em África, com destaque para a situação dos principais conflitos armados no continente, entre os quais o da RCA.
Um acordo de paz assinado em Junho, em Roma, entre grupos rebeldes e autoridades, deve ser completado esta semana por um \"comité de supervisão\" no país, implicando a Assembleia Nacional da RCA.
O acordo estabeleceu um consenso sobre um processo de desarmamento, que chegou a ser cumprido. No total, 13 grupos rebeldes ou milícias, principalmente anti-balaka pró-cristãos ou ex-rebeldes Séleka pró-minoritário muçulmano, assinaram a 19 de Junho, em Roma, com as autoridades, o acordo prevendo um cessar-fogo imediato.
O \"comité de supervisão\" que vai ser implementado pela Assembleia Nacional da RCA vai integrar também os representantes do Governo e da Presidência da República, assim como os observadores da Missão da ONU.

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