Política

Crise interna só favorece os opositores

Victorino Joaquim |

O presidente da FNLA, Lucas Ngonda, reconheceu no sábado que a actual situação de conflito interno que o partido enfrenta beneficia unicamente os seus opositores.

Presidente lamenta situação actual do partido
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

“A situação do partido está pior que nos anos passados. Em 1960, a FNLA enfrentava unicamente um inimigo, que era o colono português. Hoje, o partido enfrenta vários”, disse, ao intervir numa cerimónia realizada no complexo do partido, em Viana, para assinalar o Dia da Expansão da Luta Armada, celebrado a 15 de Março.
O líder da FNLA lamentou os conflitos internos no seu partido e apelou aos militantes para trabalharem com “espírito de revolta” para o alcance da vitória nas próximas eleições.
Recentemente, um grupo de militantes supostamente pertencentes ao Comité Central anunciou a suspensão do presidente e indicou António Pedro Gomes como líder interino.
Sobre o 15 de Março de 1961, Lucas Ngonda reafirmou que a data marca o início da Luta Armada em Angola, por ser sido nessa ocasião que alguns angolanos organizados pela UPA, hoje FNLA, tomaram a decisão de arrancar do poder colonial português a independência de Angola.
Lucas Ngonda lembrou que antes dos factos ocorridos a 15 de Março de 1961, no dia 4 de Janeiro do mesmo ano houve o massacre da Baixa de Cassange, que resultou na morte de mais de nove mil pessoas, incluindo pastores que foram massacrados.
Este facto, segundo o presidente da FNLA, foi silenciado no exterior do país.
O 15 de Março, frisou, é uma data que afectou as populações do Uíge, Malanje, Luanda, Cuanza Sul e Cuanza Norte. “Numa entrevista a um órgão de comunicação social de Portugal, o antigo Presidente Cavaco Silva afirmou que o 15 de Março foi a data do início da guerra de libertação de Angola”, disse Lucas Ngonda.
O 4 de Janeiro e o 4 de Fevereiro, apesar de serem datas inesquecíveis e importantes, disse, não se sobrepõem ao 15 de Março, porque os portugueses que morreram nos confrontos nestas datas tiveram um cortejo fúnebre onde muitos angolanos participaram.
“Era muita gente de Angola que seguia do Palácio do Governo até ao cemitério da Santa Ana. A estrada de Catete estava cheia de pessoas. Os portugueses obrigaram os angolanos a proceder assim, para afirmar ao Mundo que em Angola não havia conflito e que tudo estava bem. E logo, a comunidade internacional chegou à conclusão que em Angola não havia conflitos”, explicou.
Lucas Ngonda falou do papel activo do padre Manuel das Neves e do seu colaborador directo, Rosário Neto, naquela fase. O cónego guardava as armas dos nacionalistas para ajudar a libertar o povo angolano.
Segundo Lucas Ngonda, a comunidade internacional tomou conhecimento da realidade angolana quando um diplomat da Libéria na ONU denunciou os factos.
Antes do debate integrado no encontro de membros da FNLA em Viana, foram apresentadas mensagens da organização feminina, da juventude e dos antigos combatentes do partido.
O secretário nacional dos Antigos Combatentes, Felisberto Guimarães, disse que são merecedores de todo o respeito do povo angolano todos os cidadão que pela sua acção na luta anti-colonial e defesa do país sofreram no corpo e na alma o preço do dever cumprido.
Os antigos combatentes da FNLA, disse Felisberto Guimarães, apelam ao presidente Lucas Ngonda para, mais uma vez, envidar esforços junto do Chefe do Executivo e Comandante em Chefe das Forças Armadas Angolanas, para defender os seus direitos.
Antes do acto, o presidente da FNLA inaugurou o comité municipal do Cazenga e a representação na comuna da Sapu 2, em Luanda.

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