Política

Dar mais voz ao cidadão

Cândido Bessa |

O Presidente da República, João Lourenço, orientou ontem os responsáveis dos órgãos de comunicação social públicos para darem mais espaço aos cidadãos de diferentes estratos sociais e de  organizações da sociedade civil.

Presidente da República, João Lourenço, desejou sucessos às entidades que tomaram posse e disse confiar na capacidade profissional dos gestores
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Ao conferir  posse,  no Palácio Presidencial da “Cidade Alta”, aos  novos membros dos conselhos de administração da Rádio Nacional de Angola (RNA), da  Televisão Pública de Angola (TPA), das Edições Novembro e  da Angop, o Presidente da República lembrou que “não há democracia sem liberdade de expressão, sem liberdade de imprensa, e que são direitos consagrados na Constituição da República e, por isso, o “Executivo angolano, primeiro do que qualquer outra instituição do Estado angolano, tem obrigação de respeitar e cumprir”. “Acreditamos nas vossas capacidades profissionais e de interpretar o momento político que o país vive, assim como a nossa atitude e o nosso comportamento devem ser estes, de satisfazer o interesse público”, disse o Presidente da República, dirigindo-se às 28 entidades, entre administradores executivos e não executivos que  estiveram presente na cerimónia de empossamento.
 “Os órgãos de comunicação social  público devem procurar encontrar uma linha editorial que sirva, de facto, o interesse público, que dê voz, que dê espaço aos cidadãos”, disse João Lourenço, que destacou o papel que a Televisão Pública de Angola pode exercer neste momento político e económico do país.
O Presidente da República prometeu todo o seu apoio pessoal, do Ministério de Tutela e do Executivo,  no seu todo, para que a TPA possa ter um canal internacional que venda a imagem Angola, que mostre as belezas, as grandes potencialidades do país, para que possa atrair turistas e, sobretudo, atrair investidores para investirem no país. “Gostaria de o país passar a ter um canal internacional que a todos orgulhe e que esteja virado não apenas para as comunidades angolanas no exterior, mas virado para o mundo de uma forma geral e que reflicta, de facto, a realidade de Angola”, disse, para acrescentar que deve ser um canal que sirva também a economia nacional e que ajude na captação do turismo e do investimento privado estrangeiro. “Acreditamos que o país só sairá a ganhar desta transformação que urge fazer”, concluiu o Presidente da República antes de desejar sucessos aos gestores. O Presidente da República reiterou a mensagem feita durante a sua tomada de posse, em Outubro, quando prometeu assegurar um maior investimento público no sector da comunicação social, de modo que os angolanos tenham acesso a uma informação fidedigna em todo o território nacional.
João Lourenço apelou, na altura, aos servidores públicos para que mantenham uma maior abertura e aprendam a conviver com a crítica e com a diferença de opinião, favorecendo o debate de ideias, com o fim último da salvaguarda dos interesses da Nação e dos cidadãos.
“Nenhuma governação será bem sucedida sem o diálogo aberto com as diferentes forças sociais”, disse, para garantir maior aposta numa maior aproximação aos sindicatos e às ordens profissionais, às organizações não-governamentais e a alguns grupos de pressão, enquanto parceiros do Executivo. “Todas estas forças vivas de Angola têm de ser chamadas a contribuir para a concepção e execução das políticas públicas que a Assembleia Nacional e o Executivo venham a aprovar”, afirmou, na altura, João Lourenço, que, como Chefe de Estado, prometeu trabalhar “para que os sagrados laços do contrato social estabelecido entre o governantes e os  cidadãos sejam permanentemente renovados, através da criação de espaços públicos de debate e troca de opiniões, bem como através da criação de meios eficazes e céleres para se exigir o respeito pelos direitos e garantias  de participação plena dos cidadãos na resolução dos problemas das comunidades em que estão inseridos”.
O Presidente da República reconheceu o progresso assinalável na qualidade de informação nos últimos quinze anos. “Há mais jornais, mais estações de rádio e mais estações de televisão e o debate é mais plural e melhorou também a liberdade de imprensa”, disse, para acrescentar: “estamos conscientes de que ainda há muito por fazer e que estamos longe de atingir o ideal nessa matéria”. Semanas depois ter tomado posse, o ministro da Comunicação Social, João Melo, tinha avançado alguns desafios para as empresas.
No domínio editorial, João Melo pediu debate plural e contraditório, melhorar a informação regional, aumentar o noticiário africano e produzir uma informação rigorosa, diversa, completa e factual, assim como separar claramente jornalismo e propaganda, “embora ambos tenham o seu lugar no espaço mediático”.
Já no domínio técnico, a aposta recai para a expansão do sinal de rádio e TV, com soluções tecnológicas adaptadas, racionais e mais baratas, melhorar a distribuição da imprensa escrita para levar os jornais e revistas a todos os cantos do país e a modernização urgente a ANGOP, nomeadamente apostando no multimédia.
Depois de duas semanas de visitas às empresas públicas de comunicação social, o ministro constatou a existência de  problemas de gestão e pediu a revisão da dimensão e do modelo de negócios das referidas empresas, para que sejam mais racionais, produtivas e eficientes, adaptando-se ao contexto actual e às necessidades estratégicas do país, internas e externas.

                                                        Responsáveis das empresas já estão em funções
O novos administradores das empresas públicas de comunicação social juraram fidelidade à nação e comprometeram-se, diante do Presidente da República, João Lourenço, a combater a corrupção e o nepotismo, além de se absterem de práticas e actos que lesem os interesses do Estado, sob pena de serem responsabilizados civil e  criminalmente.
Para a Edições Novembro tomaram posse Victor Silva (PCA), Caetano Júnior, administrador para a  área de Conteúdos e José Alberto Domingos dirige a área de Administração e Finanças. Carlos Alberto da Costa Faro Molares D´Abril chefia a área Técnica e Mateus Francisco João dos Santos Júnior dirige a área de Marketing, Publicidade e Vendas. Olímpio de Sousa e Silva e Catarina Vieira Dias da Cunha são administradores não executivos. 
Na ANGOP, Josué Salusuva Isaías é o presidente do Conselho de Administração, José Chimuco, administrador para a Área de Conteúdos, Engrácia Manuela Francisco Bernardo, administradora para Administração e Finanças, Manuel Luzito André, administrador para a Área Técnica, e Lourenço João Miguel Mutepa, administrador executivo para  Marketing e Intercâmbio. Anastácio Pinto Emídio de Brito e Júlia Maria Dias Rodrigues Mingas são os administradora não executivos.
Na TPA, José Guerreiro (PCA), Francisco Mendes, administrador para a área de Conteúdos, Bidima Mateya Jorge, para Administração e Finanças, Manuel Florindo Rosa dos Ramos, para a área Técnica, Ana Lemos, para Marketing e Intercâmbio. Os  administradores não executivos  são Leonel da Conceição Abel Martins e António Baptista.
Na RNA, Marcos António Quintino Lopes (PCA) e administradores Paula Simons, Fidel da Silva, Cândido da Rocha Pinto e Círia de Castro, para as áreas de Conteúdo, Administração e Finanças, Técnica, e de Marketing e Intercâmbio, respectivamente. José Fernandes Coelho da Cruz Neto e Aguinaldo Cahilo são administradores não executivos.

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