Política

Deputadas traçam plano de combate às drogas

Adelina Inácio

O Grupo de Mulheres Parlamentares querem implementar uma política integrada de prevenção, redução e combate ao consumo de drogas lícitas e ilícitas, o uso nocivo de bebidas alcoólicas, bem como a diminuição da toxicodependência.

Mulheres parlamentares na luta contra a toxicodependência
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

As deputadas reuniram ontem para, entre outras acções, traçar a estratégia de implementação dos planos de actividades para o triénio 2020-2022.  Augusta Leonel, coordenadora do Movimento Nacional de Prevenção e Combate ao Uso das Drogas, um órgão do Grupo de Mulheres Parlamentares, adiantou, à imprensa, que as deputadas vão incidir as acções nas comunidades e nos municípios com pessoas bem identificadas.

Os números de usuários das drogas no país são assustadores, admitiu Augusta Leonel, adiantando que é, por essa razão, que o Grupo de Mulheres Parlamentares pretende criar um banco de dados para inteirar-se da magnitude do problema no seio da sociedade e dar o contributo para a redução dos números.

A deputada espera que a estratégia a ser implementada atinja os objectivo pretendido pelo Movimento Nacional de Prevenção e Combate ao Uso das Drogas. No plano de acção consta a identificação dos municípios da província de Luanda com maior número de usuários e consumidores de drogas e que se encontrem em situação de vulnerabilidade.

Para o êxito desta acção, de acordo com o documento, o Grupo de Mulheres Parlamentares pretende que seja feito um diagnóstico sobre a problemática das drogas.  As deputadas defendem, também, mais intervenção comunitária nos municípios, por meios de acções concretas de informação, educação e comunicação, palestras e seminários.

No documento, as parlamentares propõem a formação de jovens e capacitação das mulheres ex-toxicodependentes em artes e ofícios e gestão de pequenos negócios. A ideia é garantir o autosustento e melhoria das condições sociais com actividades geradoras de rendimentos.

As deputadas vão, também, trabalhar para identificar gestantes que consomem drogas para serem encaminhadas às unidade de intervenção local para o seu tratamento e apoio psicossocial, assim como da sua família.  As parlamentares pretendem, igualmente, prevenir o uso de drogas nas escolas. Para tal, vão formar 100 activistas em 30 escolas, para a prevenção do uso de drogas nos estabelecimentos de ensino.

As deputadas à Assembleia Nacional pretendem ser mais abrangentes nas acções e promover encontros com responsáveis de unidades sanitárias, líderes religiosos e tradicionais nas comunidades para a criação de grupos comunitários de combate às drogas.

De acordo com relatório do Plano de Acção, o número de consumidores de álcool e outras drogas tende a crescer, constituindo um grave problema de saúde pública. Segundo dados estatísticos do Ministério da Saúde, nos últimos três anos cerca de 38.352 pessoas foram diagnosticadas, sendo as faixas etárias mais afectadas dos 15 aos 24 anos e dos 25 aos 49 anos, predominantemente o sexo masculino.

O grupo de Mulheres Parlamentares pretende contribuir com acções preventivas para a redução da incidência de casos relacionados com o uso e abuso de substancias psicoactivas.

Augusta Leonel explicou que o grupo esteve três meses sem actividade, desde a proclamação do movimento, devido à pandemia da Covid-19, tendo o encontro de ontem servido, também, para adoptar o programa de actividades ao contexto actual que o país vive.

A deputada disse que o problema das drogas é uma situação que assola grande parte das famílias angolanas e a sociedade. “Como mulheres parlamentares, isso preocupa-nos. Por isso, criamos o movimento no sentido de mitigar esse fenómeno que afecta várias famílias”, garantiu.

Ainda ontem, o Movimento procedeu à eleição das coordenadoras provinciais que devem, igualmente, implementar a estratégia a nível das províncias.

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